Wilson Honório da Silva, da Secretaria Nacional de Formação

Aqui e em qualquer outro canto do mundo, a Arte Urbana ou Arte de Rua (ou, ainda, “Street Art”), ou seja, as manifestações da criatividade popular que tomam os muros como “suportes”, na forma de grafites, pichações, estênceis, lambes etc., é constantemente perseguida pelas “autoridades”.

E o principal motivo para isto está longe das esfarrapadas desculpas que sempre são dadas, como a manutenção de “cidades limpas” ou a defesa contra a poluição visual e o vandalismo contra as propriedades e prédios públicos. A verdadeira razão é simples: são, principalmente, em momentos de crise, radicalização e maior rebeldia que os pincéis, sprays e tintas encontram nos muros espaços ideais para expressar aquilo que agita os corações e mentes das pessoas.

Algo que não poderia ser diferente num momento como este. Então, vejam aí, alguns exemplos, de como os muros têm sido usados, mundo afora, para manifestar as preocupações e protestos diante da pandemia da Covid-19.

Alemanha

Grafite em Berlim reproduz uma hashtag que tem viralizado há tempos, nas redes sociais dos Estados Unidos e da Europa, cujo tom tem a ver com a irreverência da juventude, mas, também com o fato de que muita vezes a defesa do isolamento social se contrapõe à orientação inicial dos governos destes países ou de setores da população. #StayTheFuckHome é algo como #FiqueNaPorradaTuaCasa. ArtNet News, 30/03/2020. Foto: Adam Berry/Getty Images

O grafite de Eme Freethinker, em Berlim, junta cultura pop, bom humor e orientações básicas para a prevenção, trazendo o Gollum, da série “O senhor dos anéis”, venerando um rolo de papel higiênico com sua famoso bordão: “Meu precioso!!!”. The Guardian, 06/04/202º. Foto: John MacDougall (AFP /Getty Images)

Bélgica

Em Wetteren, na Bélgica, mais um grafite, desta vez do artista CAZ, diz “OBRIGADO” aos(às) profissionais da saúde. The Guardian, 06/04/2020. Foto: Virginia Mayo (AP)

Brasil

No Rio de Janeiro, o grafiteiro Aira Ocrespo, dá os últimos retoques no grafite “inspirado” pelo patético pronunciamento de Bolsonaro, em 18 de março, quando o presidente apareceu em rede nacional, usando máscara cirúrgica e afirmando que sua equipe estava “ganhando de goleada” no combate ao coronavírus. Vale lembrar que foi neste mesmo dia que ficamos sabendo que o ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) havia se tornado a 17ª pessoa da comitiva que o acompanhou na viagem aos Estados a ter recebido um resultado positivo para a Covid 19. E, também, foi no dia 18 que começaram os panelaços ouvidos até hoje. Foto: Carl de Souza (AFP).

Também no Rio, o fotógrafo Fabio Teixeira (NurPhoto/PA Images) registrou um grafite que, além de ironizar Bolsonaro e seu destrambelhado manejo da máscara, o identifica de forma genial: “COVARD-17”.  A imagem ganhou a imprensa mundial no dia 24 de março, quando o presidente invadiu novamente a casa dos brasileiros com seu discurso irresponsável e criminoso, recheado de bobagens. Tudo bem ao seu estilo, em defesa da economia e combate à preservação da vida, com pérolas como:“O vírus chegou, está sendo enfrentado por nós e brevemente passará (…) empregos devem ser mantidos, o sustento das famílias deve ser preservado, devemos, sim, voltar a normalidade” e “No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho”.

No mesmo dia, Miguel Schincariol (Getty Images) captou, em São Paulo, uma projeção com a imagem de Bolsonaro de máscara acompanhada por uma de suas frases prediletas: “a histeria prejudica e economia”.

Chile

Uma pichação num muro da capital Santiago (“O coronavírus não é tão letal quanto o Estado do $hile”) comprova que o processo revolucionário que varreu as ruas com as mobilizações massivas no ano passado pode, sim, ter tido um intervalo, em função da necessidade do isolamento social, mas está longe de ter acabado. Pelo contrário, continua pulsando, agora centrado na auto-organização nos bairros e com uma radicalização do movimento exatamente em função da política criminosa do governo Piñera em relação à pandemia. (Reuters Photo)

Escócia

O “CORONA PANIC” estampa um muro em Edimburgo.

Estados Unidos

Na terra governada pelo igualmente irresponsável e criminoso Donald Trump, música e arte de rua se encontraram nos muros da cidade de San Antonio, no Texas, quando o artista Colton Valentine acrescentou uma máscara à imagem já existente da rapper Cardi B, acompanhada da frase “Coronavírus, esta merda é real”. A história tem a ver com o fato de que a cantora se tornou um símbolo um tanto inusitado da prevenção contra a pandemia (em contraposição à resistência de Trump em “paralisar” a economia), depois de fazer uma postagem (surtada, pra dizer o mínimo), no dia 12 de março. A coisa viralizou nas redes (vide, por exemplo, https://www.instagram.com/p/B9rTzVUA4p2/), virando uma espécie de hit mundial contra o vírus. Foto: Eric Gay (AP). The Guardian, 06/04/2020.

A pandemia eclodiu em Miami (EUA), quando a cidade estava lotada por milhões de jovens, em função da tradicional “Spring Break” (uma espécie de “semana do saco-cheio”, no início da Primavera) e o governador da Flórida se recusava a adotar medidas de isolamento, em nome da “saúde da Economia”, fato que ajuda a explicar porque o estado é um dos mais vitimados pela Covid 19 no momento. Foi, então, que Sean Yoro (conhecido como Hula), representou o coronavírus como uma esfera de demolição, que, segundo ele é “um símbolo perfeito do atual caos e destruição que estão acontecendo no momento ao redor do mundo”, através do qual quis “representar o impacto que o vírus está tendo em quase todos os aspectos da vida humana”.

E, demonstrando a consciência que caracteriza os artistas antenados, Hula concluiu:  “Quando essa pandemia terminar, o mundo não continuará o mesmo; a fragilidade de nossos sistemas globais foi exposta e as pessoas serão fortemente influenciadas por esses eventos, tanto em pensamentos quanto em ações, o que fará com que elas avancem.” (The Guardian, 25/03/2020). Foto: cortesia Kapu Collective

Também na Flórida (EUA), Jules Muck (conhecido como Muck Rock) pintou a imagem da atriz e modelo Anna Nicole Smith usando uma máscara onde se lê a palavra “medo”. Famosa pelas aparições nas páginas da Playboy, Anna Nicole (que morreu em 2006) teve um vida tão profundamente marcada por tumultos e tragédias que chegou a ser transformada em um ópera. E, para o artista é um símbolo do que viu em Miami exatamente em função da irresponsabilidade das autoridades federal e estadual: “Estou com um pouco de medo de quando sairemos disso (…). Eu pintei essa peça quando estive recentemente em Miami, havia muito pandemônio, pessoas comprando todos os suprimentos, não era uma maneira legal de ver os seres humanos – onde não há preparação, há egoísmo. O medo estava levando as pessoas a serem egoístas”. (The Guardian, 25/03/2020). Foto: Paul Lara

Em Nova York, a cidade localizada no estado que concentra sozinho quase metade dos cerca de 9 mil mortos nos EUA (e tem quase 115 mil infectados, mais que em toda Itália), Eric Joza (nome artístico Cire One) criou este mural, no Brooklin, que retrata o vírus como uma espécie de demônio e a si próprio usando um respirador, afirmando: “Depois que a cidade declarou o estado de emergência, eu queria fazer algo para datar esse ambiente em que estamos (…). “Mas a vida continua, mesmo que eu pense que vai piorar antes de melhorar.” (The Guardian, 25/03/2020). Foto: cortesia do artista.

Em Los Angeles, na Califórnia, Hijack, um talentoso artista de apenas 27 anos, criou um mural com duas pessoas, usando pesados trajes de proteção para combater o vírus, mas usando materiais de limpeza e higiene como armas. Algo que Hijack comenta de forma bastante afiada e certeira: “(…) O coronavírus e toda a devastação que ele deixa, pra mim, é algo até simples [pra ser explicado] (…). O medo e o chamado à ação provocados pela pandemia realmente capturaram a imaginação de muitos dentro e fora da minha cidade (…) Me disseram que parece que estamos em tempo de guerra, então eu também queria adicionar esse elemento à obra.”. (The Guardian, 25/03/2020). Foto: cortesia do artista.

Também em Los Angeles, um grafite do coletivo formado por Teachr1, apela pro bom humor pra comentar a escassez de papel higiênico que resultou da corrida aos supermercados, quando a pandemia começou a se espalhar pelo pelos. ArtNet News. 30/03/2020.

Trabalho de Pony Wave, na geralmente agitada Venice Beach, em Los Angeles, retratando o “amor em tempos de Covid-19”. The Guardian (06/04/2020). Foto: Étienne Laurent/EPA

Shannon Greenhaus, uma artista da cidade de Doylestown, Pennsylvania, instalou essa obra feita em papelão na janela de sua casa, no dia 8 de março, quando Trump esbanjava arrogância e irresponsabilidade em relação ao poder letal da pandemia. Com um aviso que diz algo como “Fique esperto, matenha-se a salvo”, seguido de frases pra lá de diretas (#StayTheFuckHome e #WearAFuckingMask, algo, em tradução livre, como #FiquenaPorradaSuaCasa e #UseaPorradaMáscara, hashtags que fazem parte de uma campanha que rola nas redes sociais) escritas ao lado da imagem que representa um médico em trajes usados pelos médicos que combatiam as pestes no século 17, Shannon quis mandar um recado também direto e reto: “(…) estou cada vez mais frustrada com a falta de ações claras e decisivas por parte das autoridades governamentais e com a ambivalência de muitos indivíduos (…). As pessoas não estão agindo com o nível de gravidade que essa situação exige.”. (The Guardian, 25/03/2020). Foto: cortesia do artista.

Em San Francisco, na Costa Oeste dos EUA, um grafite anônimo retrata Trump como o coronavírus. Desnecessário explicar porque. (The Guardian, 06/04/2020). Foto: Josh Edelson (AFP)

No mesmo estado norte-americano, mas em Austin, a capital, grafiteiros ajudaram a decorar os tapumes que, literalmente, passaram a bloquear as portas de bares e restaurantes depois que o isolamento social passou a vigorar. Neste, está escrito: “Fique seguro, fique em casa. Assim, quando tudo isto acabar, poderemos nos encontrar novamente”.

E ainda nos Estados Unidos, hoje epicentro mundial da pandemia, com mais de 330 mil casos comprovados e cerca de 9.500 mortos, uma pichação faz uma constatação certeira e inquestionável: “Corona é o vírus. Capitalismo é a pandemia”.

França

 

Em Paris, mais um exemplo do “amor em tempos de coronavírus”, obra do artista C25, em um muro de Ivry-sur-Seine, perto de Paris. Foto: Christophe Ena/AP

Grécia

Um gigantesco grafite com a frase “FIQUE EM CASA”, pintada no teto de um prédio de Atenas, e feito por SF, um artista de apenas 16 anos, está rodando o mundo como símbolo do engajamento da juventude no combate a pandemia.  The Guardian, 06/04/2020. Foto: Aris Messinis (AFP/Getty Images)

Hong Kong

Grafite destaca a importancia das máscaras. The Guardian. 06/04/2020. Foto: Anthony Wallace (AFP/Getty Images)

Índia

Mulher passa diante de um grafite de Buda usando uma máscara para evitar contágio em tempos de coronavírus, em Mumbai, na Índia.Foto: Indranil Mukherjee (AFP).

Indonésia

Grafite em Surabaya, em Java, destaca a necessidade do uso de máscaras no combate ao coronavírus. The Guardian. 06/04/2020. Foto: Juni Kriswanto (AFP/Getty Images)

Inglaterra

E do outro lado do Atlântico, um jovem ou trabalhador foi igualmente preciso ao deixar gravado num muro de Londres o que tem que ser feito para enfrentar a crise: “Faça com que os ricos paguem pela Covid 19”. Foto: Jorge Martin (Facebook).

O outro exemplo vindo da terra onde o vírus não poupou sequer “sua alteza real”, o príncipe Charles, é típico da soberba irresponsável das elites mundiais. Em 17 de março, quando o primeiro-ministro Boris Johnson ainda fazia pouco causod dos 38 mortos que existiam na Inglaterra, os jornais locais noticiaram escandalizados que um dos muros da elitista região de Cambridgeshire, que abriga uma das mais renomadas universidades do mundo, amanheceu grafitado com a frase: “Coronavírus. Ele vai matar todos nós”.

Algo que foi tratado quase como um ato terrorista de péssimo gosto e qualificado como “chocante” pelo jornal da cidade, o CambsTimes, para o qual um morador declarou: “Isto é repugnante…estou farto de ver estas coisas espalhadas pela cidade…espero que [os responsáveis] seja presos logo”. Hoje, resta saber o que o tal sujeito está sentindo, sabendo que há 5 mil mortos em tordo o Reino Unido e  50 mil casos confirmados (dentre eles, Johnson, que foi internado na noite do dia 5 de abril). Ou, ainda, se ele se sentiu de alguma forma enojado ao saber que a última vítima tinha apenas 5 anos.

Em um mural feito numa ponte no sudeste de Londres, Lionel Stanhope, utilizou como inspiração o quadro “Retrato de um homem”, provavelmente um auto-retrato do pintor Jan van Eyck  (que viveu entre 1390 – 1441, na atual região da Bélgica), genial artista que marcou a transição, no Norte da Europa, da Arte Gótica (na Idade Média) para o Renascimento. (The Guardian, 06/04/2020). Foto: Matt Dunham/AP

Itália

Uma das histórias mais impressionantes relacionadas a como os artistas de rua se anteciparam às ações governamentais envolve o sistema ferroviário de Milão, uma das cidades mais atingidas pela tragédia que se abateu sobre o  país. Em 3 de fevereiro, quando não havia um único morto e os casos confirmados eram contados em dezenas, os jornais do país estamparam, sob manchetes escandalizadas com o “ato de vandalismo”, um vagão de trem onde se lia, de ponta-a-ponta, a palavra “CORONAVÍRUS”, sob uma frase que indagava: “Lavou as mãos antes de subir?”.     

A ousada intervenção de “pichar um vagão inteiro”, uma espécie de “tradição-desafio”entre os grafiteiros italianos, como sempre foi feita da noite pro dia e no anonimato. E, também como de costume, a empresa Trenord, foi ligeira em limpar a composição. Rapidez, contudo, que não foi demonstrada, nem pela empresa nem pelo governo na tomada de decisões que poderiam ter salvo a vida de milhares. Resultado, mês depois, em 26 de fevereiro, o artista voltou a grafitar um vagão, no mesmo lugar, mas desta vez com uma cruel ironia: “Ve l’avevo detto!”, algo como “eu bem que te disse” ou “eu te avisei”. Naquele dia, o governo que tinha tratado a pandemia como uma “gripezinha”, contava 17 mortos. Em 5 de abril, o número de mortes no país chegou a 15.887, quase um quarto do total registrado no mundo.

Na foto deste grafite em Milão, há um doloroso e significativo diálogo entre o olhar tristonho e os pesados equipamentos de proteção da imagem e o andar cabisbaixo do morador que saiu pra fazer compras, também coberto da cabeça aos pés. Lá, a irresponsabilidade criminosa do Bolsonaro local, o prefeito Giuseppe Sala, provocou uma tragédia sem precedentes. Em 26 de fevereiro, quando ele lançou a campanha “Milão não para”, estimulando os moradores da cidade a continuar as atividades econômicas e sociais, a região da Lombardia (onde se localiza a cidade que é um dos principais pólos econômicos do país), tinha 258 pessoas infectadas e o país inteiro contabilizava 12 mortes. Resultado: no final de março, cerca de 7.500 pessoas tinham morrido somente na região. The Guardian. 06/04/2020. Foto:  Andrea Fasani/EPA

Apesar das cenas de horror e sofrimento enfrentadas durante as semanas em que foi o epicentro da pandemia, os italianos não perderem o humor e Nello Petrucci, da cidade de Pompéia, convocou a família e o sofá mais famosos do mundo para ajudar na campanha para que todos ficassem em casa.

Também na Itália, a artista Laika utilizou a imagem da dona de um famoso restaurante localizado na chamada Chinatown de Roma para divulgar a campanha “Je suis pas un vírus” (“Eu não sou um vírus”), contra a xenofobia alimentada por conservadores mundo a fora contra os chineses (e, na verdade, qualquer um com traços asiáticos), que passaram a ser apontados como os “portadores” da pandemia. Carregando uma típica embalagem de “delivery” e vestida com roupas e máscara de proteção, Sonia diz: “Há uma epidemia de ignorância solta por aí…nós devemos nos proteger”. Foto: AFP.

Em Roma, um enorme painel homenageia a dedicação dos(as) profissionais de saúde ao país: “A todos vocês…Obrigado”. Uma dedicação com números impressionantes. Até o dia 4 de abril, as associações médicas contabilizavam 11 mil trabalhadores do setor infectados pelo vírus e 80 haviam morrido. Números que estão crescendo nas últimas semanas na mesma proporção da falta dos equipamentos de proteção individual. E, mesmo assim, na semana passada, quando o governo fez  uma convocação de emergência, solicitando 500 enfermeiras(os), em 48 horas nada menos que 9.448 se apresentaram. Foto:  Luca Bruno (AP).

Myanmar

Um lamentável exemplo de censura, fundamentalismo e irresponsabilidade pode ser dado pelo episódio documentado pelas tiradas na República da União de Myanmar (antiga Birmania, país com cerca de 53 milhões de habitantes, no sul da Ásia), onde dados pouquíssimo confiáveis falam em somente 20 casos registrados e uma única morte. Na postagem que fez, comentando seu trabalho, o artista, que por questões óbvias, se manteve anônimo, escreveu: “O senhor da morte está espalhando coronavírus para exterminar a humanidade. Alguns países estão sendo consumidos pela doença. Nessa situação, médicos, enfermeiros e sociedades civis estão nos tirando do vírus”. As autoridades locais, contudo, consideraram a obra uma blasfêmia e o Ministro para Assuntos Religiosos enquadrou a obra num artigo penal que pode resultar em dois anos de prisão. E, sem conseguir localizar o artista, mandou destruir o grafite.

Palestina

Na Palestina, onde a política genocida do governo sionista é um fator que não só impulsiona a contaminação quanto cria obstáculos para o tratamento, um artista de Rafah, na Faixa de Gaza, pinta um mural onde se lê: “Ao combater a epidemia, protegemos o ser humano e preservamos a terra”. Foto: Mohammed Abed (AFP).

Polônia

Um prédio de Varsóvia (na Polônia) faz uma linda homenagem aos profissionais de saúde, ao lado da frase “Nem todo herói usa capa”, fazendo o mais famoso dos “supers” se render ao trabalho daqueles e daquelas que têm estado na linha de frente do combate a Covid-19, mas, também, lamentavelmente, estão entre o setor social que registra o maior número de mortos. The Guardian, 06/04/2020. Foto: Agencia Gazeta/Reuters

Rússia

Pintado nos tapumes de uma construção, ainda em curso, de um centro médico, em Moscou,  que será dedicado ao tratamento de pessoas suspeitas de estarem contaminadas pelo coronavírus, o grafite define a melhor forma para contar a pandemia: LUTE!. The Guardian. 06/04/2020. Foto: Sergei Savostyanov (TASS)

Senegal

Em Dakar, capital de um dos países mais empobrecidos da África, onde, no mínimo, 35% da população (com cerca de 16 milhões de pessoas) vive abaixo da linha da pobreza e a maioria é analfabeta, e o governo, além de se negar a adotar o isolamento social (impondo apenas um toque de recolher do início da noite até a manhã), tem se utilizado constantemente da repressão, uma trupe de grafiteiros, a RBS CREW, colocou suas latas de spray e pincéis a serviço da saúde pública, espalhando orientações sobre a prevenção e contenção do vírus. Nas palavras de Fall, um dos membros do coletivo, eles decidiram agir depois de que a falta de iniciativas do governo passou a alimentar, nas ruas e redes sociais, boatos absurdos, a começar pela crença de que somente os brancos poderiam ser contagiados pelo coronavírus e “especialmente porque a maioria da população é analfabeta e os artistas podem ser comunicar através de imagens”. Fotos: Zohra Bensemra (Reuters) e Alaattin Dogru (Anadolu Agency)

Síria

In Binnishc, cidade localizada no noroeste, o coravírus é personificado pelo igualmente nocivo e letal presidente Bashar al-Assad, ao lado de instruções sobre como se prevenir da pandemia: “lave bem as mãos, use máscaras de proteção e cozinhe bem os alimentos”.

Tailândia

No país que saltou de nenhum para 23 mortos nas últimas três semanas, um estêncil pode ser lido tanto como um ato arrogância quanto como constatação da “superioridade intelectual” de um vírus em relação à maioria dos governantes mundiais: “O vírus não é tão forte se há um governo inteligente (ou esperto)”.