8 de março: em defesa da mulher trabalhadora e contra o governo

Mais um 8 de Março, mais um dia de luta. As mulheres estão longe de alcançar a igualdade. O capitalismo precisa do machismo para explorar mais e, assim, lucrar mais. É por isso que as mulheres trabalhadoras precisam mais do que comemorar: precisam lutar ao lado de suas companheiras e companheiros de classe, contra o capitalismo, o governo e o machismo. Os homens da classe trabalhadora precisam defender a emancipação das mulheres contra o capitalismo e não praticar o machismo, que divide a classe e favorece a exploração. Esta edição é dedicada a todas as mulheres trabalhadoras cuja própria vida já é uma batalha.

Cotidiano implacável
Às 14h, Helena estava em frente à fábrica onde trabalha, a General Motors (GM). Logo os trabalhadores começaram a se juntar para ouvir o que o sindicato tinha a dizer. Era dia de protesto contra o banco de horas e a redução de direitos. Ela era uma das raras mulheres.

Nessa fábrica, segundo ela, as mulheres são no máximo 10%. Ela trabalha na linha de produção, no setor de embalagem. Chega ao trabalho às 6h e sai às 15h. Quando perguntamos como é seu dia na fábrica, a resposta é curta e rápida: cansativo.
Helena acaba com o mito da igualdade entre homens e mulheres. Conta que as mulheres não são respeitadas e são consideradas mais fracas. No entanto, fazem as mesmas tarefas que os homens e trabalham o dobro, pois têm o trabalho doméstico que as espera em casa. “O salário, pelo menos, é igual, mas o dia-a-dia para a mulher é mais complicado”, diz.

Fora da fábrica, a rotina é dura. “Eu sou mãe, sou chefe de família. Inclusive eu tenho de ir embora logo, pegar minha filha na escola.”

Assédio: um fantasma permanente
“Hoje estou no sindicato porque eu me senti perdida dentro da fábrica, tinha medo de ir embora”, conta Helena, que foi assediada mais de uma vez. As mulheres trabalhadoras, além de enfrentar o trabalho dobrado, são violentadas moralmente. O assédio normalmente vem das chefias, dos patrões. Mas às vezes vem dos próprios colegas, dos companheiros de classe.

A maioria das operárias não denuncia, pois são ameaçadas com a demissão e temem represálias. “Quando a gente não está no meio dos sindicalistas, a gente tem medo de demissão, de retaliação e às vezes guarda muita coisa só pra gente”, desabafa Helena.

Soraia também é metalúrgica, mas de uma pequena fábrica de autopeças que fornece para as grandes como a GM e a Bosch. Nesses locais, o assédio não é menor. Na empresa de Soraia, o patrão impõe troca de horários sem avisar as trabalhadoras.
“Quando muda uma mulher de turno, muda toda a rotina dela, porque ela vai ter de pensar em quem vai pegar o filho na creche, quem vai levar na escola”, avalia.

“A moça que trabalhava com a gente queria passar para o terceiro turno, porque ela estava no primeiro e tinha de pagar alguém para cuidar do filho. Como não tinha dinheiro, começou a deixar o filho menor sozinho”, relatou Soraia.

Elas estão nas piores fábricas
Às 21h50, Soraia já está na estamparia. Seu trabalho é igual ao de qualquer homem da fábrica. Às 8h10, ela sai e sua atividade não pára. “Eu saio de casa, trabalho a noite toda”, fala.

A diferença é que nessa empresa a maioria é de mulheres. O salário é bem menor que o da GM. No entanto, o trabalho é igual só na fábrica. As mulheres saem da empresa e vão para suas casas cuidar dos filhos e do marido. “Tenho quatro filhos, fico com eles e, depois do almoço, eu durmo. É o horário que eu tenho para depois continuar a rotina.”

Nos fins de semana, mais trabalho em casa: “Sempre sobra alguma coisa para a gente fazer, sábado e domingo tem de dar uma geral”.

Para ela, o sindicato deve atuar o ano inteiro, exigindo creches e salários iguais.
A maioria das colegas de Soraia são as únicas responsáveis pelo trabalho doméstico. “São pessoas que trabalham e têm uma vida carregada. Muitas vezes, saem do trabalho, pegam a criança, vão para casa. Muitas trabalham à noite e o marido trabalha de dia. Quando o marido chega, a mulher organiza as crianças para dormir e vai trabalhar. É difícil, a gente passa bastante dificuldade.”
*Os nomes das mulheres foram trocados para preservá-las.

Post author Luciana Candido, do Portal do PSTU e da Secretaria de Mulheres do PSTU-ABC
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