‘A FUP não fala mais em nosso nome´

No dia 16, representantes de seis sindicatos e várias oposições reuniram-se na sede do Sindipetro-RJ para fundar a Frente Nacional dos Petroleiros (FNP). Já havia ocorrido, no dia 3, um vitorioso ato no prédio central da administração da Petrobras, o Edise, além de manifestações com atrasos na entrada em Sergipe, Cubatão e São José dos Campos.

Na reunião foi decidido que nos próximos meses a proposta de saída da Federação Única dos Petroleiros (FUP/CUT) será amplamente debatida com a categoria. Como todas as deliberações da FNP têm que passar pela base, também foi aprovada uma proposta da diretoria do Sindipetro (RJ) que prevê a abertura do debate e a realização de plebiscitos e assembléias para discutir e decidir se os trabalhadores querem ou não ficar na FUP. Esse processo deverá ter início no dia 10 de outubro.

Temos certeza que a maioria dos trabalhadores repudia todas as atitudes da FUP governista e hoje quer construir sindicatos e federações que sejam independentes e autônomos dos patrões e do governo. Atualmente, a FUP é uma “correia de transmissão” do governo e da Petrobras no meio dos trabalhadores, por isso defende a repactuação e chega até a percorrer as unidades vergonhosamente acompanhada pela direção da empresa, fazendo assédio moral contra os trabalhadores.

Base-Conlutas também defende desfiliação da CUT
Temos um enorme respeito por todos os companheiros e companheiras que estão construindo a Frente Nacional dos Petroleiros e achamos muito importante tudo que está sendo votado nestas reuniões em relação à luta e à organização da categoria.

Particularmente, saudamos a iniciativa da diretoria do Sindipetro-RJ, que se retirou do congresso da FUP quando os governistas recusaram-se a levar a proposta de repactuação para votação em assembléias, bem como a proposta de realização de um plebiscito, na segunda quinzena de setembro.

Mas não podemos concordar com a proposta desses companheiros de realizar somente um plebiscito em relação à desfiliação da FUP. É preciso romper, também, com a CUT.

Motivos não faltam: a FUP nada mais é do que a representação sindical, entre os petroleiros, da direção governista da CUT.

É a CUT, dirigida, de fato, pelo ministro do Trabalho Luiz Marinho, que faz todos os ataques ao movimento sindical: prepara a reforma sindical e trabalhista, trai a luta dos trabalhadores, divide sindicatos, prepara as medidas provisórias que retiram direitos dos funcionários públicos federais e implementa as reformas previdenciárias e os fundos de pensão.

Para construir a FNP tivemos que sair do congresso e, agora, necessitamos sair da FUP. Para construir uma nova organização nacional, devemos sair da CUT. A nova entidade, para nós, é a Conlutas, mas este é um debate a ser feito entre os rompem com a CUT.

Campanha salarial e reivindicatória
Os governistas da FUP não querem saber de campanha salarial este ano. Estão esperando chegar o dia 31 para assinar algum acordo rebaixado com a empresa sobre o plano de previdência complementar e irem fazer campanha para Lula.

A Frente Nacional dos Petroleiros não aceita esta política, por isso decidiu que este ano haverá, sim, “campanha salarial e reivindicatória”, e vai levar esta proposta para a base. A frente também propõe que as assembléias na base votem o índice salarial e demais reivindicações.

O índice salarial que estamos propondo é: o ICV do Dieese, mais perdas salariais e 5% de aumento real. Também queremos discutir nessa campanha o plano de cargos e salários, e não deixar para janeiro. Pedimos também o cumprimento da Lei de Anistia (MAS), a isonomia para todos com o fim da discriminação, além de outras reivindicações.

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