Zé Maria: posição contra a Alca é tranqüila, mas firme

Paulo de Tarso Lyra

BRASÍLIA – O candidato do PSTU à presidência da República, José Maria Almeida, o Zé Maria, classificou como “civilizado“ o encontro que manteve, junto com representantes de movimentos sociais, com a embaixadora americana, Donna Hrinak. Eles foram à embaixada dos Estados Unidos entregar o resultado final do plebiscito sobre a Alca, no qual quase 10 milhões de pessoas se mostraram contrárias à entrada do Brasil na Área de Livre Comércio das Américas.
De acordo com Zé Maria, as autoridades brasileiras deveriam se comportar da mesma forma que os movimentos sociais. “A nossa postura foi de tranqüilidade, mas de firmeza, na defesa das posições“, afirmou.

No encontro, além de apresentar o resultado do plebiscito, Zé Maria afirmou que foi discutida a posição militarista americana, especialmente em relação à possibilidade de uma guerra contra o Iraque, e um pedido para a retirada do Itamaraty da solicitação feita por Washington, de imunidade para crimes praticados por militares americanos no Brasil.

“Apresentamos nossos pontos de vista, deixando claro que essa é a opinião do povo brasileiro e alertando a embaixadora sobre as diferenças em relação à posição do governo brasileiro“, disse o presidenciável.

De acordo com Zé Maria, Donna Hrinak afirmou que o maior problema da América Latina se refere às cerca de 80 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza, e a implementação de uma área de livre comércio na região poderia melhorar a vida delas. “Nós voltamos a frisar que a política econômica americana, com a conseqüente implantação da Alca, é a maior responsável pela incidência de pobreza na região“, concluiu Zé Maria.

Publicado no JB Online, em 18/09/2002 às 14h36