Volkswagen volta a atacar trabalhadores

Empresa mantém as demissões através dos PDV´S. Trabalhadores devem rejeitar propostaFoi realizada na tarde de segunda-feira, dia 11, uma assembléia com trabalhadores de dois turnos da Volks. Participaram no total cerca de 10 mil operários.
Sob um calor intenso, os metalúrgicos ouviram sem nenhum entusiasmo o diretor do sindicato dos metalúrgicos do ABC, Vagner Santana, o “Vagnão”, apresentar a proposta que foi negociada entre as direções do sindicato e
da empresa.

A proposta apresentada mantém as 3.600 demissões, agora sob a forma de PDV’s (Plano de Demissão Voluntária). Caso a empresa não atinja a quantidade de demissões, ela indicará quem será demitido, seguindo os critérios nível salarial e tempo de casa.

A empresa abre um PDV para 1.500 trabalhadores oferecendo 1,4 salário por ano trabalhado na fábrica. Quem tem 20 anos de casa, por exemplo, além do dinheiro rescisório, vai receber 28 salários a mais.

O objetivo da Volks é demitir 1.300 funcionários e outros 500 do CFE (Centro de Formação e Estudos) ainda este ano; 1.200 funcionários em 2007 e 600 em 2008.

Completando assim as 3.600 demissões. A Volks criou um PDV especial para os funcionários com problemas de saúde decorrentes do trabalho, o que é ilegal, pois estes trabalhadores têm a estabilidade garantida.

Entre outras propostas, a empresa mantém o conceito de “retrabalho” (desconto do salário por erros de trabalho), a flexibilização da jornada de trabalho e, caso ocorra um problema de fornecimento de peça, a empresa vai colocar os trabalhadores em bancos de horas.

A proposta foi apresentada aos trabalhadores e só será votada na quinta-feira, depois de debates dentro da fábrica.

A proposta apresentada mantém a essência do que queria a direção da fábrica. Os trabalhadores não podem aceitar a demissão. Segundo o grupo que dirige a Volkswagen, de janeiro a junho, a montadora vendeu US$ 4,3 bilhões nos países da América do Sul mais a África do Sul. O valor é 42,2% superior ao mesmo período de 2005. O lucro operacional da Volks na América do Sul e África do Sul cresceu 53,2% no primeiro semestre (Folha Online 9/9).

Voltar às lutas
A saída para os trabalhadores é manter a mobilização, exigindo que o sindicato lute pela redução da jornada sem redução nos salários e que a empresa reduza seus lucros.

Devemos exigir do governo Lula que fique do lado dos trabalhadores, e que não empreste mais nenhum centavo do dinheiro do BNDES para a multinacional.

É com muita razão que os trabalhadores estão desconfiados da direção do sindicato. Muitos começam a perceber que eles são parceiros da empresa e defendem o governo.
No dia 14, uma nova assembléia será realizada. Os trabalhadores devem rejeitar a proposta. Caso a empresa mantenha as demissões, uma nova greve no ABC poderá paralisar a produção em outras unidades da Volks, como em Taubaté (SP) e São José dos Pinhas (PR).

A empresa só apresentou essa proposta porque os trabalhadores foram à greve, o que deixou o governo Lula numa situação difícil. Nesse momento de eleições os trabalhadores têm um grande trunfo, pois ao terem promovido a greve, nacionalizaram o conflito e obrigaram o governo a suspender o empréstimo de R$ 497,1 milhões do BNDES.

É preciso manter as mobilizações, preparando uma nova greve, realizado atos que paralisem a rodovia Anchieta, pedir a solidariedade ao conjunto da classe trabalhadora e preparar um fundo de greve.

É possível barrar as demissões. Isso já aconteceu em países na Europa, onde foi reduzida a jornada de trabalho, sem redução de salários. Uma outra saída que interessa aos trabalhadores é a estatização da Volks, que poderia passar para o controle dos trabalhadores.

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