Volks demite diretores sindicais ligados à oposição

Campanha internacional exige a readmissão dos demitidosNa calada da noite da sexta-feira de Carnaval, às 22h30min, a Volkswagen demitiu o diretor do sindicato Rogério Romancini, eleito pela oposição. Esta é a segunda demissão de um diretor do sindicato da oposição, além dos vários militantes que também foram demitidos. No ano passado, a empresa demitiu o diretor da oposição Luiz Carlos dos Santos, o “Biro Biro”, que estava no CFE (Centro de Formação e Estudo).O ataque da empresa tem um alvo certo, a oposição. A Volks faz isso para poder melhor aplicar seu plano de demissões.

Outro alvo são os trabalhadores com doença profissional ainda não caracterizada pelo INSS – a parte mais infame da história.

Farsa
No final de 2006, a Volks informou a demissão mundial de 20 mil trabalhadores, sendo 5.700 no Brasil, 3.600 no ABC Paulista, 1.400 no Paraná e 700 em Taubaté. Esta é mais uma reestruturação da empresa no país.

As 3.600 demissões no ABC serão feitas em quatro etapas, sendo 1.800 até fevereiro de 2007. A Articulação Sindical, majoritária na direção do sindicato, aceitou a chantagem da empresa e concordou com o programa de demissões.
Mas o acordo assinado inclui uma cláusula que diz: “se os trabalhadores não aderirem ao PDV, totalizando o número acordado, a empresa pode indicar trabalhadores para serem demitidos”.

A Volks tentou justificar as demissões afirmando que suas exportações estavam sendo prejudicadas pelo câmbio.

Recorde
No ano passado, a Volkswagen do Brasil produziu 676 mil veículos e caminhões. Seu faturamento líquido foi de R$ 17,3 bilhões e, segundo a própria empresa, seu lucro foi US$ 1 bilhão superior ao do ano passado. Em 2007, a empresa também reconquistou o primeiro lugar nas vendas internas e baterá novo recorde de produção.
Além das demissões, a Volks aumentou em oito horas a jornada de trabalho mensal dos operários – as horas trabalhadas a mais ficam no banco de horas. Segundo cálculos do boletim “Ferramenta”, as oito horas equivalem a R$ 1,2 milhão por mês (considerando um salário médio de R$ 1.503).

Doenças profissionais
Além do aumento da truculência, a Volks mostra toda a sua crueldade ao demitir trabalhadores que estão com doença profissional ainda não caracterizada pelo INSS. Em Taubaté foram demitidos 68 trabalhadores. No ABC, a empresa também demitiu trabalhadores doentes, mas teve que readmitir 13. Aliás, estas demissões começaram no ABC, mas agora a prática foi estendida para o interior.

Pela reintegração
Diante desse ataque, os trabalhadores não podem ficar calados. Vamos fazer uma campanha no país e no mundo, denunciando a Volks e exigindo a reintegração dos diretores demitidos. Vamos acampar na portaria da fábrica semanalmente e fazer um ato repudiando a atitude da Volks. Estamos pedindo a solidariedade de todo o movimento sindical do país.

E agora, sindicato? É preciso exigir que a entidade também entre na campanha. O sindicato não pode aceitar calado mais este ataque da empresa à organização dos trabalhadores. É preciso exigir também uma audiência com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e que o presidente da República se pronuncie, já que Lula foi presidente do sindicato.

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