É hora de manter e intensificar campanha pelo Fora Bolsonaro e Mourão e exigir vacinação para todos, auxílio emergencial e emprego

 

Bolsonaro abriu os cofres, foi à feira e gastou com o centrão tudo o que não gastou com vacina. A vitória de seu candidato, Arthur Lira (PP-AL), à presidência da Câmara no início de fevereiro não saiu barata. Pelo menos R$ 3 bilhões em emendas parlamentares extras foram prometidos à camarilha do centrão, além de cargos e ministérios importantes, como os da Educação e da Cidadania, que cuida do Bolsa Família, além do próprio Ministério da Saúde.

Esse acordão não envolveu só dinheiro. Outra pauta importante que uniu bolsonaristas e centrão: a garantia de impunidade a políticos igualmente enrolados na Justiça. Réu em dois processos no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção, Arthur Lira é investigado em inúmeros casos, inclusive por agressão à ex-mulher. O apoio de Bolsonaro ao centrão joga por terra o seu discurso de combate à corrupção, que já vinha se desmoralizando.

Respiro momentâneo

As cenas da extravagante festa de comemoração da vitória de Lira, reunindo parlamentares e ministros bolsonaristas, e os do centrão, todos aglomerados e sem máscara, viralizaram nas redes sociais e representam bem a consolidação desse casamento. Mas quem tem motivos para sorrir mais é mesmo o centrão, esse leque de parlamentares de partidos mercenários que se vendem a quem estiver disposto a pagar mais. Mais do que nunca, Bolsonaro está nas suas mãos.

Se por um lado a negociata para eleger o centrão contou com promessas como a de continuar emperrando os pedidos de impeachment e as CPIs no Congresso, por outro Bolsonaro terá mais dificuldades de entregar tudo o que prometera. Como disse um analista político, o governo prometeu o mesmo terreno na Lua a mais de um deputado, e o centrão sabe cobrar.

E como ocorreu durante os estertores do governo Dilma, essa base pode segurar ou até atrasar a queda de um governo, mas quando veem que o barco está afundando, não hesitam em saltar. Nesse sentido, Lira, da escola de Eduardo Cunha, pode muito bem, diante de uma crise política, refazer o que fez seu amigo no governo do PT. Algo que, contraditoriamente, um Maia ou Baleia Rossi não fariam.

DEU RUIM

A implosão da “frente amplíssima”

A fragorosa derrota do candidato de Rodrigo Maia (DEM-RJ), Baleia Rossi (MDB-SP), causou abalos na chamada centro-direita. Maia foi rifado pela direção do próprio partido, e por pouco o PSDB também não se retira do bloco. Diante da traição de seu partido, o então presidente da Câmara até ensaiou a ameaça da abertura de um dos processos de impeachment contra Bolsonaro, mas acabou segurando até o último segundo num ato extremo de covardia.

Quem se desmoralizou junto com Maia foram os setores da esquerda parlamentar que se aliaram à “frente ampla” (com DEM, MDB e PSDB), como o PCdoB, o PT e setores do PSOL, mais especificamente Marcelo Freixo e MÊS, com a justificativa de que Baleia Rossi e Maia representavam uma oposição democrática contra o bolsonarismo e o seu projeto de ditadura. Ainda que, aos 45 do segundo tempo, o PSOL tenha lançado a candidatura de Erundina, o debate público seguiu.

Além do oportunismo da esquerda parlamentar, a realidade mostrou que, embora Rodrigo Maia e essa centro-direita (DEM, PSDB ou MDB) representem setores da burguesia que não são exatamente alinhados ao projeto de ditadura de Bolsonaro, estão comprometidos até a raiz em passar o pano para o atual governo e garantir a pauta econômica de Guedes, da qual são 100% garantidores.

VERGONHA

No Senado, PT junto com Bolsonaro

A eleição do novo líder do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), contou com o apoio do então presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Primeiro, Alcolumbre pediu e recebeu as bênçãos de Bolsonaro. Depois, fechou com o PSD e o PT, mostrando que o discurso da “luta contra o fascismo” dura até o início da distribuição de cargos e o compromisso de impunidade geral para corruptos.

CAMINHO

Só a luta pode botar abaixo Bolsonaro e seu projeto genocida

As eleições do Congresso mostraram que a saída para derrotar Bolsonaro não está em acordos com a burguesia no parlamento ou nas eleições, mas na luta. A aprovação do presidente genocida continua caindo, os panelaços voltaram, as carreatas tomaram o país em dois finais de semana. Também aconteceram algumas manifestações presenciais e greves.

É fundamental fortalecer e fazer avançar essa mobilização, montar comitês de luta contra o governo nas periferias, unindo a juventude, os trabalhadores e o povo pobre; unificar as lutas dos trabalhadores, do povo pobre e setores oprimidos pelo Fora Bolsonaro e Mourão, por vacina já para todos, pela volta do auxílio emergencial e em defesa dos empregos.