Vigilantes de Passo Fundo elegem direção de luta

Alegria e garra marcaram a campanha e a vitória da Oposição Vigilante
Ascom / Conlutas-RS

Após 16 anos, pelego da Força Sindical deve entregar comando da entidade à oposiçãoDe 3 a 5 de julho passados, aconteceu a votação para a escolha da diretoria do Sindicato dos Vigilantes de Passo Fundo (RS). O pleito terminou com a vitória esmagadora da chapa da Conlutas sobre os representantes da Força Sindical e da CUT. Na eleição, disputada por três chapas, votaram cerca de setecentos trabalhadores de 70 municípios. “Nunca vi uma eleição tão disputada e uma vontade tão grande de votar em toda a história do sindicato” , disse o vigilante G. V. N., 47 anos e há 25 na profissão.

A chapa 1, de situação, ligada à central Força Sindical, foi encabeçada por Osmar Alves Teixeira; a chapa 2, de oposição, representou a Conlutas e teve como candidato a presidente Orides Timóteo; a chapa 3, também de oposição, foi liderada por Gesiel Soares da Rosa, atual vice-presidente do sindicato.

Muita força, pouco resultado
Osmar Alves Teixeira contou com o apoio maciço da segunda maior central sindical do país, a Força, que também controla a federação gaúcha de sindicatos da categoria e que mobilizou sindicalistas de outras cidades e categorias para apoiarem-no por mais de dez dias na reta final da campanha. Mesmo assim, Teixeira foi removido do comando da entidade por uma votação esmagadora em favor da chapa 2.

A vantagem da oposição ficou clara desde a primeira urna e só aumentou até o fim da contagem dos votos. No final, a chapa 1 fez 166 votos; a chapa 2, 323 e a chapa 3, 122.

Mudança
O presidente eleito, Orides Timóteo, considera que no final, prevaleceu o discurso mais politizado da chapa 2, que fez duras críticas à gestão de Teixeira não apenas durante a campanha, mas no decorrer dos últimos doze meses, forçando a prestação das contas da atual diretoria, questionando o acordo salarial fechado no mês passado e discutindo questões como as reformas trabalhista e previdenciária. “Além disso”, afirma ele, “após dezesseis anos, a categoria queria uma renovação e votou por uma direção mais ofensiva na luta por salário e direitos, e mais democrática, que escute o trabalhador e decida coletivamente, nas assembléias, os rumos da entidade”. E promete: “Isso nós vamos fazer”.

Vitória com lutas
Desde o primeiro momento, a chapa 2 contou com o apoio da central sindical Conlutas. O coordenador regional da central, Bradimir da Silva, considera que a vitória aponta o início de uma importante mudança. “Há pouco tempo conquistamos, em Passo Fundo, o sindicato dos comerciários, agora o dos vigilantes e, em breve, virão outros; os pelegos que se cuidem, por que começou o tempo da tosquia”.