O 11 de Setembro seis anos depois

11 de setembro de 2001 – em pleno centro financeiro do mundo, Nova York, uma das torres gêmeas explode e vem abaixo; minutos depois, um avião, vindo de ninguém sabe onde, atravessa a segunda torre, destruindo aquela montanha de cimento em questão de segunAs imagens desse dia ficaram registradas em filmes e milhões de fotografias espalhadas pelos jornais e revista do mundo inteiro, documentando aquilo que parecia impossível de acontecer: um atentado contra o país mais poderoso e supostamente mais seguro do planeta.

Hoje, seis anos depois, o governo Bush se afunda cada vez mais no mar de lama em que transformou o Iraque, onde já fez milhares de vítimas dos dois lados, gastou bilhões de dólares e em cujo desfecho – cada vez mais difícil e distante – reside grande parte do resultado das eleições presidenciais americanas de 2008.

Indícios de cumplicidade
Os atentados às torres gêmeas deixaram centenas de mortos e feridos, numa operação arriscada na qual havia no horizonte fortes indícios de cumplicidade da própria Casa Branca. Ou pelo menos que a CIA sabia e não fez nada para impedir. Assim, Bush se beneficiaria do pânico criado entre a população, jogaria a opinião pública americana contra os “terroristas” e com isso o Congresso abriria o cofre para financiar sua aventura militar no Oriente Médio.

Tanto é assim que imediatamente depois dos atentados, Bush – relativamente fortalecido junto à opinião pública americana – foi à TV acusar os países do que ele batizou de “eixo do mal”, e declarou guerra ao Afeganistão, depois ao Iraque, governado por Saddam Hussein, e, logo em seguida, ao Irã e à Síria, coincidentemente os países que mais produzem petróleo no mundo. Além de controlar o petróleo e desatar uma ofensiva política e militar contra os povos dos países semicolonais, Bush pretendia atingir um novo ciclo de recuperação da economia americana usando o recurso de impulsionar a indústria armamentista, alimentada pelo enorme aumento dos gastos de guerra dos EUA.

O “day after” americano
Apesar de Bush ter tido um relativo sucesso na recuperação da economia americana a partir de 2002, a recente crise das bolsas, provocada pela desestabilização do mercado imobiliário, mostrou como essa recuperação é frágil. As contradições da economia americana também se agravaram enormemente com o pântano em que os EUA se meteram no Iraque. Hoje, seis anos depois do 11 de Setembro, vemos o governo Bush, totalmente desgastado, enfrentar uma longa e penosa guerra de guerrilhas em território iraquiano, que deixa o exército americano em uma verdadeira sinuca de bico: se sai, tem de reconhecer uma derrota de repercussões mundiais; se fica, tem de triplicar o número de soldados, o que não pode fazer sem provocar uma sublevação interna da opinião pública, porque tem de apelar ao recrutamento forçado.

Para piorar a situação de Bush, seu “quintal” latino-americano também está reagindo contra uma política recolonizadora, de sujeição econômica e política. Lembremos que seu plano de impor a ALCA teve de ser postergado ad infinitum e a implantação dos TLC (Tratados de Livre Comércio) está provocando um poderoso ascenso de massas na América Latina, a tal ponto que já abriu crises revolucionárias de peso na Argentina, Venezuela e Bolívia.

Hoje, seis anos depois dos acontecimentos, a situação do imperialismo confirma as análises feitas pela LIT-QI em sua declaração contra a invasão do Afeganistão e em outros artigos da revista Marxismo Vivo (nº 4, dezembro de 2001), de que era clara a intenção do imperialismo de fazer avançar sua ofensiva recolonizadora e conquistar novas colônias em uma região estratégica do planeta por suas fontes de petróleo e gás, como é o caso do Oriente Médio.

O real significado do 11 de setembro
Hoje podemos dizer com toda tranqüilidade que o maior real do 11 de Setembro não reside em ter sido o estopim de uma guerra contra o terrorismo, mas sim uma demonstração de até que ponto o imperialismo pode chegar na sua ânsia de controlar partes cada vez maiores do mundo. Essa política colonizadora e recolonizadora, que já vinha sendo implementada, enfrentava resistências cada vez maiores das massas dos países oprimidos, obrigadas a viver num processo ascendente de miséria e opressão, assistindo impassíveis à expoliação desenfreada de suas riquezas por parte dos grandes grupos econômicos imperialistas.

Essa resistência, que impulsionava movimentos nacionalistas e fundamentalistas de todos os matizes, entre eles o Talibã, acirrou ódio das massas contra o imperialismo. Como afirmava a LIT, “Esse enfrentamento entre as massas dos países dependentes e o imperialismo, enfrentamento do qual participam setores burgueses de diversos tipos, é o que está por trás não só dessa guerra, como também dos atentados. Isso é o que explica que importantes setores burgueses financiem várias organizações guerrilheiras islâmicas, da mesma forma que explica que estas apelem para as massas (falando da guerra santa ou da defesa do povo palestino) para enfrentar o imperialismo americano”. (Marxismo Vivo, n.4, p.9)

A situação mundial hoje
A guerra contra Saddam Husseim e a Bin Laden, as ameaças militares de todo tipo, os horrores de Guantânamo e Abu Graib, prisões que viraram símbolo da barbárie imperialista, as bases militares espalhadas por todo o mundo, como um enorme big brother, e a ingerência direta do Pentágono na condução política e econômica das nações latino-americanas foram as conseqüências mais imediatas do giro que a política da Casa Branca adotou pós-11 de Setembro.

Tudo levaria a crer que os EUA estariam melhor do que nunca em sua corrida pelo domínio mundial. No entanto, nada mais distante da verdade. As contradições da economia americana acumulam-se dia a dia. Os déficits da balança comercial e do orçamento nacional não param de crescer, alimentados pelo alto consumo e pelo enormes gastos do Estado com a guerra. O consumo interno se mantém sobre a base de um crescente endividamento externo dos EUA com todos os países imperialistas e principalmente com a China. Sem contar que a alta do preço do petróleo, que chegou a 70 dólares do barril, agrava a crise energética, um dos tendões de Aquiles do imperialismo americano.

Até onde tudo isso irá chegar, é difícil saber. A última palavra está com os povos latino-americanos, que vêm lutando dia a dia, palmo a palmo, contra as políticas imperialistas, e sobretudo, com os combatentes em terras iraquianas, que vêm demonstrando uma resistência ímpar às investidas dos marines e outros exércitos imperialistas. Da vitória de seu combate depende, hoje, o rumo da situação política mundial, seis anos depois das explosões que transformaram em pó um dos maiores símbolos do poderio americano.