Verba de auxílio-moradia a deputados daria para construir mais de mil casas

Só com o que é gasto em auxílio-moradia a 79 deputados daria para custear 1083 moradias populares em um anoA Câmara dos Deputados foi obrigada a recuar da proposta indecente de reforma dos apartamentos funcionais dos parlamentares. Pela proposta do deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP), e inicialmente aceita pela Mesa Diretora da Casa, uma reforma iria ampliar o número de apartamentos para os deputados federais em Brasília. Hoje, existem 432 imóveis para 513 deputados. Os parlamentares que não utilizam o apartamento têm direito a auxílio moradia.

A idéia era dividir os apartamentos com quatro ou cinco quartos, criando imóveis novos de dois quartos. O orçamento da reforma era cotado em nada menos que R$ 150 milhões. O mais novo escândalo se juntou à série de absurdos sobre vantagens e mordomias que diariamente são revelados no congresso. A repercussão fez a direção da Câmara recuar da proposta.

Privilégios a custas da miséria
A justificativa cínica da proposta de reforma dos apartamentos funcionais partia da necessidade de economizar os R$ 13 milhões que são gastos anualmente com auxílio-moradia a deputados. Cada um dos 79 parlamentares sem o apartamento funcional recebe R$ 3 mil para pagar seu aluguel em Brasília.

Essa verba se junta a uma série de benefícios aos engravatados. Cada deputado recebe, por mês, entre salários e verbas dos mais diversos tipos, algo como R$ 118 mil. Enquanto um trabalhador tem que se desdobrar para pagar o aluguel, todas as contas e fazer com que seu salário dure até o final do mês, o deputado recebe só de auxilio-moradia mais do que todo o salário da maior parte dos trabalhadores no país.

Só com o que é pago de auxílio-moradia aos deputados que não vivem em apartamento funcional daria para comprar 1083 casas populares ao ano, tomando por conta o custo de cada imóvel calculado pela UFRGS, de R$ 12 mil.

Enquanto o país vive um dramático déficit habitacional, de 7,9 milhões de casas segundo o IBGE, parlamentares se esbaldam em verbas públicas e vivem de graça, às custas do dinheiro do contribuinte, em apartamentos na área nobre de Brasília.