Uma combinação letal

Caos da saúde pública vai elevar mortalidade da gripeMuitos especialistas afirmam que o vírus da gripe suína ainda provoca menos mortes que o da gripe comum (sazonal). Mas o problema não é a letalidade do novo vírus em comparação com o da gripe comum e sim a possibilidade do aumento de pessoas infectadas. Isso geraria uma explosão no número de mortes relacionadas à gripe suína, combinada ao caos no sistema público de saúde, sucateado por inúmeros cortes de verbas que provocariam o aumento da tragédia.

É o que está acontecendo na Argentina, que registra 137 mortes causadas pela gripe suína. É o segundo país com maior número de mortes no mundo, atrás apenas dos EUA, segundo relatórios oficiais. No entanto, é justamente lá que se registra o maior índice de mortalidade entre as pessoas infectadas pelo vírus da gripe suína. A média de óbitos é de 4,48% do total de pacientes infectados. Algo que só pode ser explicado pelo verdadeiro desmonte da saúde pública desse país.

Segunda onda
Por outro lado, o aumento da circulação do vírus faz com que ele adquira propriedades biológicas que o tornam mais grave. É o que explicou ao Opinião o infectologista Artur Timerman. Esse processo pode detonar uma segunda onda de transmissão da gripe suína, com um vírus mais resistente aos medicamentos atuais.

“Essa primeira onda tem menor gravidade até comparada a casos de gripe sazonal. Já a segunda e a terceira ondas devem aumentar muito a mortalidade, o potencial de transmissão e a gravidade”, afirma o infectologista.

Essa maior letalidade do vírus é temida até mesmo pelos Estados Unidos e a Inglaterra. De acordo com estimativas do governo britânico, até 65 mil pessoas poderiam morrer de gripe suína lá no próximo inverno, que começa em novembro. Mas não está descartado que essa segunda onda surja aqui mesmo na América do Sul, em países como Argentina ou Brasil.

Vacinas para poucos
Por outro lado, os governos britânico e norte-americano deixaram correr a gripe suína em seus países, esperando vacinas que serão usadas no próximo inverno. Recentemente, a OMS alertou que não haverá vacinas para todo mundo, pois “a maior parte das doses deve ser comprada por países com os recursos para pagar pelo medicamento”.

Os países imperialistas já compraram todo o estoque de vacinas para o vírus. Já os países pobres ficarão sem nada. Por isso, a entrega de cepa do vírus ao Brasil atrasou e a vacina só será produzida pelo Instituto Butantã a partir de 2010.

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