Um bom negócio

A Secretária de Estado dos EUA, Condolezza Rice, não se cansa em elogiar o governo Lula. De acordo com a secretária “Bush e Lula têm uma excelente relação”. O próprio Lula, ao voltar de sua viagem aos EUA, declarou que Bush é “um amigo do Brasil”.
Aonde vai, Bush enfrenta mobilizações de repúdio. O sentimento antiimperialista, extremamente amplo e difundido em todo o mundo, assumiu uma forma e uma cara conhecida: a de George W. Bush.

Neste fim de semana, nos dias 19 e 20 de março, ocorrerão atos em todo o mundo e em todo o Brasil contra a agressão imperialista ao Iraque e em apoio à resistência iraquiana.

Esta é a face mais visível hoje do imperialismo, que assume características grotescas com a tentativa de assassinato da jornalista italiana Giuliana Sgrena, cujo depoimento está em nossas páginas centrais.

Os elogios de Condolezza a Lula são justificados. Bush não é amigo do Brasil, mas Lula é amigo de Bush. O governo petista mantém neste momento tropas no Haiti, garantindo uma intervenção militar sob comando do imperialismo, mas com soldados brasileiros.

Existe outra cara menos conhecida do imperialismo, que não é a militar. Existe outro ataque violentíssimo, agora contra o povo brasileiro, no qual também pode se ver as impressões digitais do amigo de Lula: a reforma Sindical e Trabalhista que está em discussão no Congresso.

Seguindo as diretrizes do FMI, o governo federal, junto com as direções da CUT, Força Sindical e as grandes empresas do país, apresentaram esse projeto de reforma para dar um duro golpe contra os trabalhadores.

O governo petista apresenta esta reforma, auxiliado pela grande imprensa, como um passo progressivo, uma forma de “acabar com privilégios” de pelegos sindicais. Na verdade, a reforma vai criar superpelegos, que são justamente as direções da CUT e da Força Sindical.

A maioria absoluta do povo brasileiro não tem a mínima idéia de que seu nível de vida vai baixar e muito se essa reforma for aprovada. Vai baixar porque se cortarão direitos históricos como as férias e o 13o salário. Vai baixar porque as greves serão inviabilizadas ou ilegalizadas, cortando-se a forma de luta mais importante para combater o arrocho salarial.

Bush usa as forças armadas para roubar o petróleo iraquiano. Para acabar com direitos históricos dos trabalhadores brasileiros e proibir suas greves, basta-lhe apenas usar o governo Lula e a Câmara dos Deputados picaretas, presidida por Severino Cavalcanti.

Cada um dos parlamentares que votará a favor da reforma certamente ganhará um “presente” das grandes multinacionais. Por mais dinheiro que se dê a cada um deles, no final tudo terminará sendo muito mais barato do que os gastos na ocupação militar de um país. Um bom negócio para o amigo de Lula.

Post author Editorial do Opinião Socialista 210
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