Trabalhadores do transporte coletivo de Blumenau (SC) estão em greve

O dia 23 de maio foi marcante na cidade de Blumenau. Cobradores e motoristas paralisaram as atividades nos terminais urbanos do município a partir das 11h do dia 23 e estão parados até o momento. A adesão nos primeiros dias foi de 99%, deixando cerca de 120 mil usuários sem transporte. O índice, agora, caiu um pouco devido às ameaças dos patrões aos grevistas.

Mesmo assim, permanecem de braços cruzados cerca de 80% da categoria, aguardando que o sindicato da patronal abra o diálogo para negociar. Até o momento, este tem se mostrado inflexível, optando pelas ameaças para pôr fim ao movimento.

Cobradores e motoristas não estão em greve para reivindicar aumento de salário. Eles querem apenas a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, além de cinco folgas mensais. A maioria dos motoristas e cobradores acaba trabalhando até 14 horas diárias e passam várias semanas sem folgas.

Há muito tempo, esta tem sido uma reivindicação da categoria. Recentemente, a patronal assumiu o compromisso de avaliar os pedidos, dando um prazo de 60 dias para as empresas cumprirem o que reivindicavam os trabalhadores ou se posicionarem. “As empresas não ofereceram sequer uma contraproposta”, argumenta o presidente do Sindicato dos Empregados das Empresas Permissionárias do Transporte Coletivo Urbano de Blumenau.

Vale ressaltar que depois de muitos anos sem o sindicato desta categoria se confrontar com os patrões, recentemente, após a posse de uma nova direção, as coisas começaram a mudar. A nova diretoria, respaldada pelos trabalhadores, passou a fazer o embate em defesa dos interesses de quem representa.

A repressão da burguesia tem sido forte, usando todos os aparatos coercitivos que sempre estão a sua disposição nestes momentos – polícia, justiça, etc. – para reprimir os que lutam por seus direitos. A justiça já declarou a greve ilegal e condenou o sindicato a pagar multa diária de R$ 100 mil caso não cumpra a sentença. Porém nem isso intimidou a categoria, que permanece firme na greve, sem previsão de encerramento da mesma.