Trabalhadores da GM de São Caetano fazem passeata

Proposta de passeata foi feita pelo boletim FerramentaCerca de 600 operários acabam de encerrar uma assembléia, próximo a sede do sindicato dos metalúrgicos de São Caetano, no ABC paulista, e iniciar uma passeata até a sede da empresa. Eles caminham animados, com palavras de ordem, e devem percorrer o trajeto de 2 km a tempo de alcançar a troca de turno da empresa, para se unir aos trabalhadores que deixam e chegam para trabalhar.

Os operários que participam do protesto são trabalhadores temporários, cujos contratos começam a vencer nesta amanhã, dia 27 de fevereiro. Ao todo, são 1.630 trabalhadores nesta situação. Eles foram contratados em 2008, com contratos temporários, e, com a crise, foram colocados em licença remunerada. Eles têm aguardado em casa a posição da empresa, sem saber se terão os seus contratos renovados ou se serão demitidos. A GM não informa quantos serão mantidos e o presidente da GM no Brasil, Jaime Ardila, deu a seguinte declaração à imprensa, no dia 20: “Vamos renovar apenas os contratos que precisarmos”.

O sindicato de São Caetano é dirigido pela Força Sindical, que depois da defesa do banco de horas, tem realizado todo tipo de acordo com redução de direitos e salários durante a crise. Os operários da oposição, ligados ao boletim Ferramenta e à Conlutas, distribuíram cerca de 500 panfletos na assembléia, chamando a luta contra as demissões. “A verdade é que a maioria dos contratos não será renovado, por isso a empresa não informa quantos empregos serão mantidos. Tudo isso para manter os lucros durante a crise”, traz o boletim.

O Ferramenta denunciou o sindicato, que “passou um mês sem convocar um único protesto” e convocou os trabalhadores a saírem em passeata e ocuparem a Avenida Goiás, até a sede da GM. “O boletim foi muito bem recebido pelos trabalhadores. Há vontade de lutar”, conta um operário do grupo Ferramenta.

O Ferramenta defendeu a unidade dos metalúrgicos de todo o ABC e de São José dos Campos, e a unidade dos temporários com os efetivos, exigindo medidas do governo Lula. Enquanto protestavam, a empresa dava mais uma prova da importância da luta unificada. A GM colocou nesta quinta-feira mais 900 trabalhadores em licença-remunerada, 300 deles na unidade de São Caetano e 600 em São José dos Campos.