Todos os homens do presidente

Barack Obama foi eleito presidente prometendo levar a mudança para Washington, mas a capital do poder nos Estados Unidos deve ver de novo muitos nomes conhecidos. Logo após as eleições, o democrata já anunciou parte de sua equipe de transição, que integrará seu futuro governo.

O primeiro indicado foi Rahm Emanuel, que será o chefe-de-gabinete de Obama. O indicado atende pelo sugestivo apelido de Rahmbo e é um ardoroso defensor do Estado de Israel.

Quando o asssunto é economia, os principais assessores de Obama são Paul Volcker e Robert Rubin. Volcker foi presidente do Fed, o banco central dos EUA, entre 1979 e 1987, nos tempos de Ronald Reagan. Volcker foi um dos pais do neoliberalismo e teve papel fundamental na implementação da globalização capitalista. Nos tempos de Reagan, seu lema era: “as famílias norte-americanas têm de diminuir seu nível de vida”. Evidentemente, as famílias às quais ele se referia não eram as endinheiradas.

O processo neoliberal iniciado por Reagan continuou e foi aprofundado pela administração Clinton. Foi o presidente democrata que mais fez avançar a desregulação, a privatização e os tratados de livre comércio. Robert Rubin, homem do capital financeiro e do Citigroup, como secretário do Tesouro de Clinton, foi quem arquitetou essa política. Foi sob sua administração – e não sob a de Bush – que tiveram início as apostas das hipotecas subprime e toda a parafernália especulativa que desembocou na atual crise.

Além disso, Obama já cotou Warren Buffett, o homem mais rico do mundo e megaespeculador do cassino financeiro mundial, para ser seu secretário do Tesouro. Outros conselheiros de Obama são Lawrence Summers, ex-Banco Mundial e secretário do Tesouro de Clinton; Jamie Dimon, atual presidente do Banco de Investimento JP Morgan; e Timothy Geithner, ex-gerente do FMI.

Como se não bastasse, Obama vai manter alguns funcionários de Bush. O caminho já tinha sido aberto por Colin Powell, que comandou a invasão ao Iraque e, nos últimos dias das eleições, declarou apoio à Obama. Com ele está Michael Mullen, diretor da Junta de Chefes do Estado Maior e um dos principais conselheiros de Bush para questões de segurança nacional, principalmente nas estratégias para o Afeganistão e o Iraque. Mullen, assim como Obama, defende o aumento da ofensiva no Afeganistão.

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