Obama: um novo Tio Sam?

Política de Guerra ao Terror, criada após o 11 de Setembro, fez de Bush o presidente mais odiado no mundo; a eleição de Obama já provoca recuo na consciência antiimperialistaObama oferece ao imperialismo uma excelente oportunidade de reciclar sua imagem perante o mundo. Afinal, ele seria muito mais simpático diante da face horrorosa de Bush e suas guerras genocidas. Um presidente negro, filho de um muçulmano, pode ser apresentado aos povos oprimidos como alguém que entende o sofrimento e o preconceito. Que está ao lado da maioria e dos explorados. Assim, forçando identificações onde não há, Obama poderá atrair simpatia e adormecer qualquer reação.

A simples presença de Bush em algum país já era o bastante para milhões saírem às ruas. A combinação das invasões militares com a crise dos planos neoliberais provocou uma consciência antiimperialista difundida em todo o mundo.

Com Obama, no início será diferente. Agora, dificilmente se realizarão protestos contra sua presença no Brasil ou na África, por exemplo. É até possível que o novo presidente seja recebido com festejos por organizações ligadas à luta contra opressão e o racismo. No futuro tudo isso mudará, mas por agora, a nova face do imperialismo vai enganar a muitos.

A opção por Obama é uma forma de a burguesia ianque tentar conter um enorme salto nas lutas em todo mundo. Nesse sentido, a própria eleição de Obama já provoca um recuo na consciência antiimperialista. Assim, seu governo responderia a necessidade de enfrentar a profunda crise do imperialismo e recuperar o papel de liderança dos EUA.

Saindo do Iraque?
Em outros países, um dos temas que mais despertam expectativas no governo de Obama é o da ocupação do Iraque. O democrata prometeu retirar as tropas daquele país em 16 meses, isto é, em maio de 2010. Obama não prometeu devolver os soldados a seus lares, mas sim transferi-los para o Afeganistão, guerra que considera justa.

Alguns analistas, porém, mostram-se céticos quanto ao prazo. Primeiro, o Iraque está longe de uma estabilização política e militar. Uma retirada das tropas poderia significar a derrota militar dos EUA.

O discurso em relação ao vizinho Irã não tem sido muito diferente do de Bush, que apontava o país como parte de um “eixo do mal”. Durante a campanha, Obama não parou de fazer ameaças ao Irã.

Ainda que palestinos tenham se alegrado pela derrota dos republicanos, não há sinal de mudanças por parte de Obama com relação à ocupação israelense. Tudo indica que o permanente apoio incondicional a Israel será mantido. O chefe de gabinete de Obama será Rahm Emanuel, conhecido partidário da linha dura pró-Israel.

“Compañero” Obama
Tal expectativa de mudança já é também visível até mesmo na América Latina. A figura de Obama tentará recuperar o prestígio político dos EUA na região e impor um recuo na consciência antiimperialista dos trabalhadores.

Para isso, já conta com a colaboração de governos ditos de esquerda, como Chávez, Evo Morales e Lula. Chávez, que por anos se utilizou de uma retórica anti-Bush, já demonstra os limites de seu suposto antiimperialismo e saudou a vitória de Obama.

Para onde vão os EUA?
A vitória de Obama não vai fazer com que os EUA deixem de ser o país central da exploração capitalista. A crise econômica vai recair sobre as costas dos trabalhadores norte-americanos, assim como dos latino-americanos. A exploração imperialista vai se intensificar. Obama não tem a seu favor um novo período de crescimento (como teve Lula), mas o enorme peso de uma crise.

É possível que surja uma crise de grandes proporções nos EUA. A mudança prometida por Obama vai se transformar em uma mudança real… para pior. Caso os trabalhadores dos EUA entrem em luta, poderemos ter uma nova situação política na principal potência imperialista.

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