“Somos irmãos e nunca venderemos nosso país”

Unidade entre sunitas, xiitas e todo o povo iraquiano

Na nova situação, ambos os setores entraram em combate e passaram a unir publicamente suas lutas contra o inimigo ocupante. O grito de guerra “nem sunitas nem xiitas, somos irmãos e nunca venderemos nosso país” ouvido em uma mesquita xiita de Bagdá expressa o repúdio ao saque a que o imperialismo submete o país. A ocupação imperialista tornou-se o inimigo comum de ambos, e acabou por unir xiitas e sunitas para enfrentá-lo. O apoio da cidade de de Fallujah e bairros sunitas a Cidade Sadr e dos xiitas ao cerco contra Fallujah selou essa unidade.

O bairro sunita de Al Adamiya, em Bagdá, levantou-se contra as tropas americanas em apoio a seus vizinhos xiitas de Cidade Sadr. A solidariedade com os insurretos chega desde as mesquitas sunitas da capital, e desde Fallujah e Ramadi, no triângulo sunita. O muro entre as duas alas muçulmanas está caindo por terra. Os dois movimentos de guerrilha se apóiam um no outro. A idéia de um combate nacional comum está em curso e também a noção adquirida nas lutas dos últimos dias de que as forças armadas norte-americanas podem ser colocadas em dificuldade, mesmo com toda a sua superioridade militar.

O Conselho de Governo não tem nenhum peso nem influência na população; é apenas uma máscara ou uma sombra do verdadeiro poder que existe no país, a APC (Autoridade Provisória da Coalizão), o comando militar e político dos EUA. Porém, ainda assim, alguns ministros e membros do Conselho renunciaram por não suportarem mais o grau de repressão desatada pelo imperialismo contra as populações civis, e a exigência feita pelo responsável da administração americana no Iraque, Paul Bremer, para que sejam respaldadas todas as ações dos marines e do exército americano. O repúdio da população à ocupação também faz com que alguns dirigentes, que haviam se aliado aos ocupantes, agora queiram sair do governo. Isso porque querem preservar sua imagem, pois pensam em manter alguma influência no futuro Iraque.

O governo de George Bush já vinha modificando a posição original de quando invadiu o Iraque e que manteve até pouco tempo, apelando para a ONU (Organização das Nações Unidas) para tentar sair do atoleiro. Tinha a expectativa de que a ONU interviesse para convencer a direção xiita a colaborar, ampliando, assim, a “legalidade” da ocupação.

O governo americano queria o respaldo e a ajuda da ONU para desmontar a resistência.
Obviamente, a ONU e atrás dela os países imperialistas europeus que não participaram da invasão, como França e Alemanha, estavam dispostos a ajudar os EUA. Mas agora a situação ficou mais difícil, porque os xiitas estão em pé de guerra e os próprios aliados de primeira hora (EUA, Grã Bretanha e Espanha) estão em maus lençóis depois da derrota do ex-chefe do governo espanhol José María Aznar.
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