Socialistas sim, com muito orgulho

A participação do PSTU nessas eleições já se justificaria por defender as bandeiras do socialismo. Durante a década de 90 existiu uma gigantesca campanha de propaganda de que “o socialismo morreu”. Agora, as conseqüências brutais do capitalismo vêm a tona com a crise européia. Nas manifestações, nas greves, surgem de novo as bandeiras vermelhas socialistas.

Começa a se mover o proletariado de maior tradição de todo o mundo. Este ascenso operário pode ser a base objetiva para uma ampliação das idéias socialistas.
Hoje não existe mais a URSS, que demonstrava a existência de uma alternativa de sociedade não capitalista. Felizmente caiu o aparato internacional do stalinismo, mas tampouco existe uma clareza de que o socialismo é possível. Até a queda das ditaduras stalinistas, na década de 80 do século passado havia uma ampla hegemonia do socialismo entre intelectuais e artistas. A vanguarda das lutas já nascia socialista, e isso não ocorre hoje. Pode ser que o ascenso operário europeu comece a mudar essa realidade.

A grande trava da humanidade: a propriedade privada das grandes empresas
O capitalismo hoje é o domínio das grandes empresas privadas sobre a sociedade. Elas buscam cada vez mais lucros e isso leva à exploração e a miséria do proletariado. As riquíssimas multinacionais gastam ao redor de 5% de seu faturamento no pagamento aos trabalhadores. Já existem sinais de barbárie nas periferias das grandes cidades no mundo, com a fome e a violência urbana atingindo graus inimagináveis.

As empresas competem entre si, gerando uma anarquia na produção. Isso impede o planejamento da produção em função do atendimento às necessidades da população.
As multinacionais fazem também um ataque desenfreado aos recursos naturais, levando ao atual desastre ecológico mundial . Mesmo se o capitalismo fosse abolido hoje, os reflexos no aquecimento global tardariam talvez um século para serem superados.

Isso existe mesmo nos períodos de crescimento. Nas crises, inevitáveis no capitalismo, tudo se agrava rapidamente. O desemprego e a miséria se alastram.
Seria possível, com o nível das forças produtivas atual, acabar com a fome, o desemprego e a miséria em todo o mundo. Os 24 trilhões de dólares entregues aos banqueiros pelos governos poderiam ser usados para isso, mas foram destinados a salvar as grandes empresas responsáveis pela crise.

A única alternativa realista é a abolição da propriedade privada
Não existe nenhuma possibilidade de reformar do capital. Os reformistas falam de um “capitalismo com preocupação social” até chegarem ao poder como o PT. Aí viram os administradores do neoliberalismo.

O capitalismo se prepara para escapar desta crise reforçando todas as suas características mais parasitárias. A grande “saída” é a redução dos salários e direitos dos trabalhadores, como indicam os “acordos” da indústria automobilística dos EUA. A isso se alia uma maior centralização do capital (como nas fusões da industria automobilística), e um predomínio ainda mais forte do capital financeiro.

O socialismo não é nenhuma utopia. Utopia reacionária é a esperança, amplamente majoritária, de que governos capitalistas como Obama e Lula possam evitar ou resolver as crises. Outra utopia, apoiada pela maioria da esquerda, é acreditar que Chavez vai levar ao socialismo. O nacionalismo burguês chavista não acabou com a dominação das multinacionais petroleiras e dos bancos nesse país. Segue convivendo com elas e por isso os trabalhadores nesse país têm níveis salariais e de desemprego semelhantes aos brasileiros.

A abolição da propriedade privada das grandes empresas é a única alternativa realista para evitar as crises e a barbárie. Só assim será possível organizar a economia para satisfazer às necessidades dos trabalhadores e não para aumentar os lucros de uma pequena minoria.

A evolução da URSS mostrou o que isso pode significar. Um país que, antes da revolução era o mais atrasado da Europa, acabou com o desemprego, a fome e o analfabetismo, e se transformou em uma potência mundial que rivalizou com os EUA.
A burocratização da URSS acabou com esta experiência histórica fantástica e acabou levando-a a restauração do capitalismo. Mas nada poderá apagar este exemplo do que pode significar a abolição da propriedade privada.

Um novo tipo de estado muito mais democrático que a democracia burguesa
A burguesia afirma que o socialismo destrói a liberdade, que a democracia é indissociável da propriedade privada. As ditaduras stalinistas ajudaram a burguesia a associar o socialismo com a burocracia, a incompetência, a asfixia da arte e da ciência.

No entanto, qualquer estado é uma ditadura de uma classe social sobre as outras classes. A democracia burguesa é uma ditadura disfarçada das grandes empresas, com eleições a cada dois anos.

Como a grande burguesia controla a economia, dirige também o estado. Possui os grandes meios de comunicação (TVs e jornais em particular), financia os grandes partidos, compra votos em grande escala, e um longo etc. Todas as eleições são viciadas. Ganham os candidatos que a grande burguesia apóia, ou outros (como Lula) que se dispõem a fazer o que eles querem. É por isto que, apesar de se votar a cada dois anos, nada muda. Existe uma enorme distância entre os trabalhadores e os “políticos”, identificados com a corrupção e o aproveitamento das verbas públicas.

A abolição do capitalismo permitiria também uma democracia muito superior à democracia burguesa. Um estado operário seria a expressão da dominação da maioria sobre uma minoria. Existiria uma ampla democracia operária, em que os trabalhadores poderiam livremente debater e decidir os grandes temas políticos e econômicos.
Mais uma vez, nada disso se passa na Venezuela, em que segue existindo um estado burguês com um governo autoritário como Chavez.

A experiência da democracia operária nos primeiros sete anos da revolução russa, antes da burocratização do stalinismo, foi o maior exemplo histórico de como isso pode ser feito. Mesmo em condições objetivas econômicas ruins, os trabalhadores discutiam e decidiam livremente nos sovietes sobre os destinos da guerra e os rumos da economia. Os representantes eram eleitos e podiam ser revogados a qualquer momento.

Um novo tipo de estado, baseado na democracia operária, possibilitaria que os trabalhadores discutissem em seus organismos de luta nas fábricas e empresas os temas mais importantes do país. Elegeriam seus representantes para os congressos que decidiriam sobre esses temas. Como esses delegados poderiam ser mudados a qualquer momento e não teriam qualquer privilégio em relação aos outros trabalhadores, a distância enorme com os parlamentares de hoje acabaria.

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