A luta pelo programa socialista. A luta pelo voto socialista

Faculdade de Direito, Largo de São Francisco, São Paulo. Mesmo tendo de enfrentar a concorrência da Copa, reuniram-se quase duas centenas de pessoas nos dias 26 e 27 de junho. O motivo: debater uma proposta de programa socialista, que será apresentado pelas candidaturas do PSTU nas eleições.

Foi um seminário aberto, com a presença de quadros de longa data do movimento de massas e do PSTU. Vieram também ativistas e intelectuais que não são do partido, como Chico de Oliveira, Iná Camargo, Armando Boito, Paula Marcelino, Guilherme Boulos (MTST). Em dezoito mesas diferentes, abarcando distintos temas do programa, se discutiu como apresentar as bandeiras socialistas para o Brasil. O resultado pode ser apreciado nessa edição especial do Opinião Socialista, que reproduz e sintetiza as conclusões programáticas do seminário.

Os participantes do seminário se dispunham a colaborar por acreditar na importância do debate do socialismo. Uma enorme diferença em relação às candidaturas majoritárias – Dilma, Serra e Marina – em que as “colaborações” são feitas profissionais pagos a peso de ouro.

Essas campanhas têm “programas” ditados pelos marqueteiros, que orientam os candidatos para falarem o que as pessoas querem ouvir, sem nenhum compromisso. O que é levado para a TV são as “promessas de campanha” que podem decidir uma eleição, para depois desaparecer e só retornar nas próximas eleições. O verdadeiro programa dessas candidaturas é feito às escondidas com as grandes empresas e não é apresentado para ser debatido nas eleições.

São duas visões radicalmente diferentes de como fazer política. A dos partidos majoritários e a nossa. O PT e o PSDB lideram os blocos burgueses majoritários, e não têm nenhum compromisso com um programa, só querem ganhar eleições. Defendemos um programa socialista para mudar o país.

A democracia dos ricos
Vivemos em uma democracia, dizem. É verdade, uma democracia burguesa, democracia para os ricos, ditadura para os pobres. Só se reconhece o direito de voto a cada dois anos, mas não se decide nada pelas eleições.

O PSDB apresentou seu orçamento de campanha, com gastos de 180 milhões de reais. Dilma vai gastar oficialmente 157 milhões. E Marina Silva, que diz ter “poucos recursos”, vai gastar 97 milhões. Essa é a verba declarada por esses partidos, sem contar o dinheiro que virá por baixo do pano das grandes empresas e da corrupção.
O PSTU terá, com a candidatura Zé Maria, gastos ao redor de 300 mil reais, seiscentas vezes menos que Serra, mais de quinhentas vezes menos que Dilma. E esse dinheiro virá integralmente de trabalhadores e jovens que apóiam nossas candidaturas. Não aceitamos dinheiro dos patrões. Não compactuamos com a corrupção.
Esses dois blocos burgueses contam com campanhas milionárias, têm o apoio de diferentes TVs e rádios. As grandes empresas conseguem dirigir o país dessa forma, financiando os candidatos que podem vencer, em troca de favores após as eleições.

As eleições são jogos de cartas marcadas. Nenhuma mudança de fundo do país virá através delas. O Brasil só poderá mudar através das lutas diretas dos trabalhadores, grandes greves e revoluções.

Por que participar nessas eleições
Vale a pena participar nas eleições enquanto os trabalhadores acreditarem nelas. Sabemos que as eleições não resolvem nada. Mas a maioria dos trabalhadores ainda acredita nelas, ainda que meio desconfiados. Não participar deixaria os dois blocos burgueses majoritários sem nenhuma contestação.

Participaremos exatamente para divulgar o programa socialista debatido no seminário, e para apoiar todas as lutas concretas dos trabalhadores e jovens que estiverem ocorrendo. Nosso objetivo é ajudar a construir uma alternativa própria dos trabalhadores, um terceiro campo distinto dos dois blocos burgueses.
Queremos o voto dos trabalhadores e jovens para fortalecer a luta por uma estratégia socialista.

E por que Zé Maria?
Zé Maria é um operário socialista. Sintetiza em sua trajetória de trinta anos de lutas uma alternativa distinta à de todos os que começaram no movimento sindical e se integraram ao estado passando a defender os interesses da burguesia, como o PT ou o PCdoB.

Vamos enfrentar duas grandes máquinas eleitorais riquíssimas. A única maneira de fazer a campanha chegar até a base é incorporar os ativistas das mobilizações sindicais, populares e estudantis à campanha.

Na medida em que entramos na disputa, queremos que você nos ajude. Não contratamos cabos eleitorais, não distribuímos brindes. Defendemos o programa socialista e todos que nos apoiarem será por estar de acordo com essa bandeira.

Leia e debata as propostas contidas nessa edição. Se estiver de acordo, integre-se à nossa campanha.

Cada voto em Zé Maria e em nossos candidatos aos governos de estado e aos parlamentos será um apoio para essa luta, essa estratégia socialista. Venha para essa luta!

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