Sob o governo Chávez, 454 sindicalista foram assassinados

Argenis José Vasquez foi mais um combativo sindicalista assassinado na Venezuela de Hugo Chávez. Nos últimos dez anos chavismo, 454 dirigentes sindicais foram assassinados, segundo organizações de direitos humanos.

Em apenas seis meses foram executados dois dirigentes da União Nacional dos Trabalhadores (UNT) – Richard Galhardo e Luís Hernandez Carlos Requena -, além de dois operários mortos numa tentativa da policia de desocupar uma fábrica da Mitusibishi e, agora, o jovem Argenis que havia liderado recentemente uma greve com ocupação da Toyota. Todos esses casos repousam na mais completa impunidade.

No caso de Richard e Luís Hernandez, a pressão de uma campanha internacional obrigou o próprio Chávez a falar que tomaria providências. Meses depois, porém, a Justiça venezuelana apresentou como suspeito um ativista do movimento: uma óbvia farsa jurídica para proteger os verdadeiros assassinos, que podem incluir empresários ligados ao governo e integrantes do PSUV (partido de Chávez).

Para completar o quadro de ataque as organizações sindicais, existem atualmente outros 85 dirigentes sindicais que estão sendo processados judicialmente pelo governo federal. Como se não bastasse, a Lei de Propriedade Social, que regulamenta as chamadas “empresas socialistas” proíbe a formação de sindicatos dentro destas empresas e pune com severas sanções os trabalhadores que o tentarem.

O que dizem os defensores do chavismo no Brasil, como o PT, PCdoB e setores do PSOL, diante deste verdadeiro banho de sangue e ataques promovido contra dirigentes e as organizações dos trabalhadores? O silêncio e a omissão daqueles que defendem o suposto “socialismo do século 21” chavista só pode ser interpretado como expressão do silêncio do próprio Chávez sobre os crimes contra os sindicalistas. Um silêncio que semeia um ciclo sem fim de impunidade e mais massacres.

Semelhanças
O que ocorre hoje na Venezuela recorda o extermínio de sindicalistas e trabalhadores ocorrido durante o peronismo na década de 70. Como o chavismo, o peronismo também foi movimento nacionalista burguês da Argentina que incluía desde setores de esquerda, como os Montoneros, até grupos de ultra direita, que foram os embriões da temida Triple “A” (organização semelhante ao Comando Caça a Comunistas – CCC, existente no Brasil nos anos 60).

O extermínio era comandado pela sinistra figura de López Rega, ministro peronista. Após a morte de Perón, assume sua esposa, Isabel Perón, e a repressão atinge seu ápice com a decretação do Estado de Sítio. Ativistas e representantes operários são aprisionados. Bandos peronistas de extrema direita seqüestram e executam ativistas operários e estudantis com total impunidade.

Ao não investigar os assassinatos de ativistas sindicais, o governo Chávez pode estar abrigando no aparato do PSUV (amparados por figuras localizadas no próprio Estado venezuelano) máfias semelhantes às do peronismo.

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