Sindicalista é assassinado em Manaus

Corpo do sindicalista assassinado

Durante uma panfletagem na entrada da fábrica da Sony, sindicalista discute com segurança da empresa e é brutalmente assassinado.Nas primeiras horas do dia 1º de outubro, o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Manaus, José Augusto de Lima Cruz, 47, foi assassinado com dois tiros no peito por um vigilante terceirizado da empresa Sony, durante uma panfletagem. O curioso é que Augusto – junto de outros diretores do sindicato – distribuíam panfletos de uma candidata ao Senado, não era um chamado de greve da categoria, nem uma reivindicação de ajuste salarial, nada disso. “Estávamos panfletando quando o vigilante saiu armado da empresa e mandou que saíssemos do local” disse o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos, Nilson Soares.

Segundo a assessoria do Sindicato, os dois iniciaram a discussão por conta de uma convenção coletiva que proíbe o uso de armas de fogo nas guaritas das fábricas. “Enquanto tentávamos resolver a situação fomos surpreendidos com ele sacando a arma. Nem houve uma discussão tão grave”, explicou Soares. O segurança autor do crime, Hernani Neto, 36, fugiu do local em uma moto, com ajuda dos colegas e está sendo procurado pela polícia.

Depois dos disparos houve tumulto, dezenas de manifestantes invadiram a fábrica para protestar contra a morte de José Augusto. Houve discussão entre sindicalistas e policiais no pátio da empresa. A Força Sindical divulgou nota condenando o assassinato. A Sony também divulgou nota lamentando o ocorrido e anunciou a rescisão do contrato com a empresa terceirizada de segurança Visam. O titular da Delegacia Especializada em Homicídios e Seqüestros (DEHS), Mariolino Brito, informou que a autoria do crime já está esclarecida.

Mas o que chama atenção foi que alguns veículos de comunicação como jornais, sites e até a própria Força Sindical, alegaram que o segurança mostrou “despreparo”. O que querem dizer com isso? Por que “despreparo”? José Augusto não estava fazendo piquete, nem paralisação, nem barricada, nada que a empresa pudesse alegar estar defendendo a propriedade e patrimônio da fábrica. E agora? Será preciso treinamento para seguranças de uma empresa permitirem uma simples panfletagem numa porta de fábrica? O que houve foi uma brutalidade, um homicídio, com dois tiros no peito à queima roupa, um crime que deve resultar com o assassino atrás das grades.

Criminalização dos Movimentos Sociais
Episódios como esse mostram o que a burguesia tem a oferecer aos trabalhadores além de exploração: Morte! Seja para sindicatos pelegos ou sindicatos de luta, basta ser uma organização dos trabalhadores pra justificar toda essa repressão!

Tais acontecimentos apontam uma realidade cada vez mais latente no Brasil, na América Latina e no mundo. Segundo o Relatório Anual da Confederação Sindical Internacional (CSI) sobre os Direitos Sindicais, documenta um aumento impressionante no número de sindicalistas mortos em 2009: 101 mortes – 30% mais que no ano anterior. Destes 101 sindicalistas assassinados, 89 foram nas Américas. A Confederação afirma que a crise econômica foi fator determinante para esse índice.

A Colômbia lidera este ranking com a gritante marca de 48 mortos, resultado do Governo Uribe, ligado a grupos paramilitares e que reprime fortemente toda e qualquer luta dos trabalhadores. Com 12 mortes, em terceiro lugar neste lamentável ranking, aparece Honduras, já fruto do golpe militar que depôs Zelaya do poder e que causou um levante em diversas organizações sindicais em todo o país Hondurenho.

O Brasil aparece no relatório com 4 mortes, isso sob um governo de um ex-operário e ex-sindicalista. O Governo Lula, que cooptou grande parte dos movimentos sociais – incluindo a própria CUT – e tem reprimido os que continuaram na luta para uma real mudança na vida da classe trabalhadora e nada tem feito pra coibir tamanha repressão aos movimentos. Este triste episódio servirá de lição para nossa classe. A burguesia não vai hesitar em tirar a vida dos trabalhadores ao ver suas regalias ameaçadas. E nós da classe trabalhadora temos que ter a consciência que essa classe é nossa inimiga implacável, e só a mobilização trará vitórias e a revolução que precisamos.