Sete mil operários cruzam os braços em Belo Monte

Operários fazem terceira greve em seis meses
Ag Brasil

É a terceira greve em seis meses nas obras da hidrelétrica; Consórcio Belo Monte mantém intransigênciaUma nova greve paralisou as obras da usina de Belo Monte na manhã desse dia 23 de abril, na região de Altamira (PA). O movimento grevista foi retomado diante da intransigência do Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) frente às reivindicações dos operários. Entre as principais exigências estão o aumento do vale-alimentação de R$ 95 para R$ 300, além da redução do intervalo de folga de ‘baixada’ (período em que os operários de fora retornam às suas cidades de origem), de seis para três meses, e uma série de melhorias nas precárias condições de trabalho.

“A obra está 100% parada, as cinco frentes de trabalho estão completamente paralisadas”, atesta Atnágoras Lopes, dirigente da CSP-Conlutas, que está em Altamira acompanhando a greve e prestando solidariedade aos trabalhadores. A contraproposta do consórcio, de aumento no vale para apenas R$ 110 e o aumento de nove para 19 dias o tempo de ‘baixada’ (contando como antecipação de férias), e mantendo o intervalo de seis meses, revoltou ainda mais os operários.

Desta vez, o Sintrapav-PA (Sidicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada do Estado do Pará), ligado à Força Sindical, está convocando a greve, mas nega-se a mobilizar os trabalhadores, orientando os funcionários a se dispersarem. “Nós estamos chamando a unidade do movimento, convocando uma grande manifestação para amanhã (dia 24), na beira do Cais em Altamira”, afirma Atnágoras.

Intransigência
Até o momento o consórcio não sinalizou com abertura de novas negociações. Já o Governo Federal se limitou a enviar um funcionário da Secretaria Geral da Presidência para acompanhar o movimento, mas não se posicionou sobre a greve.

“Não é possível que o Governo Federal se omita em relação ao que está acontecendo aqui”, disse Atnágoras. “É a maior obra do PAC e o dinheiro que está sendo gasto aqui é dinheiro público, o governo precisa se posicionar”, argumentou, exigindo ainda que o governo pressione para fazer valer os termos do acordo do ‘Compromisso Nacional’, assinado em Brasília entre representantes dos trabalhadores e das empreiteiras.

A CSP-Conlutas, que esteve na região no início de abril e acompanhou a revolta dos trabalhadores, está novamente prestando sua solidariedade ativa aos operários. “Estamos acompanhando esse movimento desde o mês passado, lado-a-lado com os trabalhadores de Belo Monte, exigindo não só as reivindicações da pauta mas o cancelamento das dezenas de demissões que houve na última greve, estamos dizendo a eles que o caminho é a luta, fortalecer essa greve”.

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