Servidores intensificam mobilizações e ocupam Brasília neste dia 15

Manifestação no Ministério da Educação nesse dia 14
Agência Brasil

FHC elogia intransigência do governo Dilma em negociar com servidores federais em greveA greve dos servidores públicos federais vem chegando a seus momentos decisivos. Enquanto o governo Dilma reitera sua posição de intransigência frente ao movimento que, no caso dos docentes das universidades e institutos federais, chega já ao seu terceiro mês, os servidores intensificam e ampliam a mobilização.

Contrariando as expectativas do governo, que apostava no enfraquecimento e desgaste do movimento, ela vem ganhando força e já é a maior greve do funcionalismo público federal desde 2003. São já 36 categorias em greve, ou cerca de 400 mil servidores públicos parados. Além das reivindicações relativas à reestruturação dos Planos de Carreiras, os servidores reivindicam reajuste linear (para todos) de 22,08%, como recomposição da inflação dos últimos dois anos e aumento seguindo o índice referente ao crescimento do PIB no período.

Truculência
O governo Dilma, por sua vez, além de não avançar nas negociações com os servidores, na rodada iniciada nesse dia 14 de agosto no Ministério do Planejamento nenhuma contraproposta foi apresentada, já determinou o corte no ponto dos grevistas, que virá no próximo contracheque fechado no dia 20. Cerca de 80 mil servidores da União já terão descontos nos vencimentos como punição à greve. O governo determinou até que os docentes das universidades tenham o salário cortado, passando por cima da autonomia universitária.

Além de cortar o ponto, o governo já está implementando os convênios estabelecidos pelo decreto 7.777/12, que autoriza a substituição dos servidores em greve por servidores estaduais ou municipais. Convênios com São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná já estariam sendo assinados pelo governo federal. A estratégia do governo é minimizar os efeitos das paralisações para poder empurrar a greve até o final de agosto, prazo para a aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA), que deve conter os gastos com servidores, e assim não haver tempo hábil de incluir os reajustes reivindicados.

Nesse dia 14 de agosto, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso declarou apoio à intransigência do governo Dilma na greve e sua resistência em atender as reivindicações dos servidores. O dirigente do PSDB, cujo governo foi responsável pelo processo de privatização e sucateamento do setor público nos anos 1990, se solidarizou com o governo Dilma e criticou os grevistas. O ex-presidente citou o momento de “dificuldade financeira e fiscal” para avalizar a intransigência. “Não vejo como ela não pudesse enrijecer”, discursou em evento voltado a empresários, em São Paulo. Os mais de R$ 100 bilhões destinados em isenções à indústria só no governo Dilma e a série de subsídios aos empresários, por outro lado, não entram na conta dessas “dificuldades financeiras”.

Marcha a Brasília
Os servidores, porém, não estão dispostos a serem mais enrolados pelo governo e, apesar da truculência do governo e dos inúmeros ataques da imprensa, radicalizam a greve e intensificam as mobilizações. Após o dia nacional de lutas realizado no último dia 9 em todo o país, os servidores em greve preparam uma nova marcha a Brasília nesse dia 15. Além disso, ocorre um acampamento em Brasília esta semana e nova plenária unificada do funcionalismo federal no dia 17.

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