Servidores de Santo André enfrentam repressão de prefeitura do PT

Os servidores municipais de Santo André, região do grande ABC (SP), estão mobilizados contra o arrocho imposto pelo prefeito do PT, João Avamileno. Eles reivindicam reposição das perdas salariais de 47,31% e melhores condições de trabalho.

Segundo a diretora Silvana Gomes, responsável pela imprensa do Sindserv, o sindicato da categoria, há um aumento nas terceirizações e um déficit de funcionários em muitos locais. “Um médico atende, em média, 250 pessoas por dia. É quase uma consulta a cada três minutos. Não dá pra ter qualidade desta forma”, denuncia a diretora.

Além das reivindicações imediatas, outro fator que fortaleceu o movimento foi a crise política do país. O sindicato tem denunciado a corrupção no governo Lula, além da prefeitura, que destina 8% da folha de pagamento para os comissionados.

Greve contra prefeitura do PT
Os servidores estiveram em greve de 16 a 26 de junho. Foi a primeira greve da categoria em dez anos. Embora o movimento não tenha atingido o conjunto da categoria, foi uma greve forte, com paralisação na garagem no setor de meio ambiente e parcial na saúde.

O sindicato vinha negociando com a prefeitura há dois meses, sem sucesso. A resposta do prefeito João Avamileno foi: “a prefeitura não pode conceder nenhum reajuste”. Diante disso, os servidores, que haviam realizado uma semana de protestos e paralisações, partiram para a greve.

Repressão
No dia 22 de junho, a prefeitura, percebendo o crescimento da greve, iniciou a repressão. Pela manhã, a guarda municipal foi deslocada para uma unidade da Semasa (empresa de saneamento), para garantir a saída dos veículos. Como nenhum funcionário estava disposto a furar a greve, o próprio subcomandante da Guarda Municipal tentou sair dirigindo uma Kombi e romper o piquete.

Os trabalhadores mantiveram o bloqueio, gritando: “Nada entra e nada sai”. A Polícia Militar então atacou com cassetete e spray de pimenta. Dois diretores do sindicato foram presos.

Prefeitura não negocia
No dia seguinte às prisões, houve mais uma rodada de negociações, mas a administração manteve-se intransigente. O sindicato apresentou uma contraproposta e a prefeitura negou, comprometendo-se a não descontar os dias parados caso os funcionários voltassem ao trabalho. Além disso, agendava uma negociação para o próximo mês.

Tal proposta não foi aceita, mas a comissão de servidores voltou para a mesa de negociação. A prefeitura, então, voltou atrás e não aceitou mais pagar os dias parados. A direção do sindicato entrou com pedido de julgamento do dissídio e o Tribunal fez uma proposta de R$ 200 de abono dividido em duas vezes, o pagamento dos dias parados e nenhuma punição, mas a prefeitura disse que não acataria.

O Ministério Público deu cinco dias para as partes chegarem a um acordo, caso contrário se pronunciará sobre o caso. Diante disso, o sindicato aguarda uma resposta da administração. Uma assembléia da categoria manteve o estado de greve e aprovou panelaço e paralisações caso a prefeitura não negocie. Até fecharmos esta edição ainda não havia o desfecho da luta dos servidores de Santo André.

Post author Emannuel de Oliveira, do ABC paulista
Publication Date