Direções impõem a divisão e enfraquecem a greve

A greve do funcionalismo federal, reunido na base da Confederação Nacional dos Servidores Públicos Federais (Condsef), teve um final anunciado. A maioria da diretoria da entidade impôs sua política divisionista, levando a categoria à derrota perante a política de reajuste de 0,1% do governo Lula.

Terminou como começou
Desde o primeiro momento da campanha salarial, a direção majoritária da Condsef tentou impedir a unificação, centrando sua política nas questões específicas de cada setor. Felizmente, essa política da confederação foi derrotada na plenária nacional da categoria em maio, quando os demais setores da CNESF (Coordenação Nacional dos Servidores Públicos Federais) aprovaram um índice unificado de reivindicação. Os servidores decidiram unir-se em torno dos 18% de reajuste referente às perdas no governo Lula.

Na ocasião, a Condsef levou para os demais servidores a proposta batizada de “reajuste reeleição”, por ir até 2007. A reivindicação elaborada pela maioria da direção da Condsef baseava-se num cálculo das perdas da categoria desde 1995, mas subtraindo disso qualquer ganho, como gratificações, titulações, e até mesmo ganhos judiciais dos servidores. Essa proposta representaria dezenas de índices de reajuste dentro da própria Condsef, levando o movimento ao “cada um por si”.

Mesmo sendo derrotada na proposta, a maioria da Condsef insistiu nessa política até depois de deflagrada a greve, no dia 2 de junho. Prova disso foram os acordos rebaixados realizados pela Confederação com base em promessas do governo, e referendados na plenária nacional da entidade, no último dia 8 de julho. Ao perceber que a aposta na mobilização pelas questões específicas estava fadada ao fracasso, a maioria da direção do Condsef mudou repentinamente seu eixo, exigindo adiantamento do Plano de Carreira.

Confederação “decreta” fim da greve
Além de serem irrisórias e somente para 2006, as promessas do governo não têm a mínima garantia de que serão cumpridas. Exemplo marcante de um acordo vergonhoso foi o que o governo ofereceu, e a Condsef aceitou, para os servidores dos ministérios do Trabalho e Saúde. Pela proposta governista, o adiantamento do Plano de Carreira dos servidores seria dividido em seis anos, com duas parcelas ao ano a partir de 2006. Ou seja, na prática, venceu a proposta do governo Lula de “reajuste” de 0,1% pra 2005.

Além disso, nada garante que os dias parados não sejam descontados, como o governo vinha ameaçando. Apesar da plenária em que a maioria da direção impôs o fim da greve ter sido rachada, conseguiu decretar o fim da paralisação. Mesmo sendo as assembléias de base da categoria as responsáveis por deflagrar a greve, tal como sua suspensão, a direção decretou o fim do movimento “sugerindo” que os servidores voltem ao trabalho até o dia 14 de julho, sem marcar nova plenária.

Greve não terminou
Apesar dessa política acabar com a greve em parte do funcionalismo, enfraquecendo o conjunto dos servidores, a greve continua forte em outros setores. Os funcionários da Previdência continuam parados. Servidores do IBGE e do Sinasefe também entraram em greve este mês. O momento agora é o de superar a política da direção governista no setor, unificar ao máximo a categoria para impor uma derrota ao governo.

Além disso, a construção do dia 17 de agosto é uma tarefa central para os servidores. Além do arrocho e da corrupção, os servidores saíram às ruas pela revogação da reforma da Previdência, aprovada por este Congresso de deputados comprados.
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