Serve para alguma coisa participar das eleições?

Muitos ativistas honestos têm uma enorme desconfiança nas campanhas eleitorais. E têm toda razão, porque os partidos políticos que estão nos governos (nacional, estaduais e municipais) buscam os votos dos trabalhadores nas eleições e depois traem todas suas promessas. Dois anos depois, os mesmos partidos fazem novas promessas que são traídas novamente. Os casos de corrupção se generalizam. O povo diz, coberto de razão, que os “políticos” só querem é se arrumar.

E o que se pode fazer?
Isso é pura verdade. O problema é discutir o que fazer a partir daí. Não adianta “não querer saber de política”. Se os melhores ativistas, os melhores lutadores, chegarem a essa posição, a vida vai continuar a mesma de sempre. Os mesmos partidos vão continuar mandando… e roubando os cofres públicos.

Então o que se pode fazer em uma eleição? O país precisa de uma mudança profunda que só virá com o socialismo. Não virá com as eleições. No entanto, nas eleições podemos dar um passo adiante nessa luta para mudar o país.

É um momento em que se discutem as soluções para o país. É possível discutir nossas propostas para essas mudanças, nosso programa socialista, com milhões de pessoas. Só poderemos mudar o país se os trabalhadores estiverem convencidos disso. E as eleições nos permitem discutir isso abertamente.

Não vamos resolver nenhum dos graves problemas sociais do país com as eleições, ao contrário do que dizem os partidos burgueses de sempre. Mas podemos utilizar as eleições para fazer avançar as lutas diretas dos trabalhadores.

É possível apoiar as lutas que estejam ocorrendo utilizando o espaço eleitoral na TV. Por exemplo, em 2002, o PSTU foi o único partido que aproveitou seu tempo eleitoral na TV para divulgar o plebiscito contra a Alca, contribuindo decisivamente para se conseguir os mais de dez milhões de participantes.

A necessidade de uma terceira força, a dos trabalhadores
Existe uma enorme confusão na cabeça dos trabalhadores. Elegeram Lula para mudar o país, mas tudo seguiu na mesma. Não têm confiança na oposição burguesa, mas também já começam a ficar irritados com o aumento da inflação.

Existe uma lógica de polarização eleitoral entre os partidos do bloco governista (PT, PCdoB, PDT, PP, PMDB) de um lado e da oposição burguesa (PSDB-DEM) de outro. Na realidade é uma briga pelo controle do aparato de Estado e de suas verbas entre dois setores com o mesmo programa, o mesmo plano econômico e a mesma corrupção.

É preciso uma nova alternativa, dos trabalhadores. Está na hora de expressar nas eleições o que já está acontecendo nas lutas. Existe uma ruptura de massas com a CUT e a Força Sindical pela esquerda, que está se ampliando e expressando através da Conlutas. O movimento sindical não está preso nessa polarização entre o governo e a oposição burguesa. A Conlutas é a alternativa que vai capitalizando este processo de ruptura com a CUT e o governo.

Essa alternativa de esquerda, contrária aos dois blocos majoritários, já se esboçou nas eleições de 2006, com os seis milhões de votos dados à candidatura de Heloísa Helena. Nessas eleições de 2008, o PSTU chamou a uma frente entre nosso partido, o PSOL e o PCB. Infelizmente, a direção do PSOL preferiu se coligar com partidos da burguesia em várias capitais, inviabilizando a frente, como em Porto Alegre e Macapá. Na maioria das capitais, no entanto, a Frente de Esquerda saiu e pode ser uma alternativa contra os dois blocos da burguesia.

Apóie os candidatos do PSTU
É por isso que estamos chamando você, que esteve conosco nas lutas salariais, nas eleições das oposições sindicais, nas mobilizações estudantis, a se engajar em nossa campanha eleitoral.

Não encontrará em nós uma campanha rica, não receberá “brindes” de camisetas, não lhe ofereceremos dinheiro ou cargos. Este é o tipo de campanha dos partidos que estão no poder: oferecem migalhas a você para que eles continuem mandando no país e roubando você. A nossa campanha é modesta e se orgulha disso, porque não temos o dinheiro da burguesia e da corrupção.

Mas poderá participar de uma atividade que, ainda que inicial, tem um profundo significado: ajudar a construir uma alternativa socialista. Poderá ter orgulho do que fez e não se arrepender amanhã por um voto jogado fora. Apóie e participe da campanha eleitoral do PSTU.

Post author Editorial do Opinião Socialista nº 346
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