Serra, Haddad e o kit anti-homofobia: comunidade LGBT é usada como moeda de troca eleitoral em São Paulo

Serra, Malafaia e Haddad

No segundo turno das eleições à prefeitura de São Paulo, que disputam José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT), a pauta do movimento LGBT é novamente utilizada de maneira vil e oportunista para atrair aliados e o prestígio da população mais conservadora. O tema voltou à tona na campanha deste ano por conta das alianças de Serra com pastores evangélicos, bem como a lamentável ausência de uma política efetiva de combate à homofobia nas escolas por parte do PT e do candidato petista quando estava à frente do Ministério da Educação nos governos Lula e Dilma.

O histórico desses partidos, bem como o dos candidatos, indicam que não há no horizonte qualquer medida que vise reduzir os índices de violência homofóbica, nem na escola, nem nas ruas.

Infelizmente, o combate à homofobia não se deu e nem foi prioridade em um governo do PSDB, pois se trata de um dos partidos mais conservadores e de direita. Como exemplo disso, o Serra faz agora no segundo turno alianças com o pastor Silas Malafaia, que defende e incita nos meios de comunicação o ódio aos homossexuais. A homofobia no estado de São Paulo só aumentou no período em que José Serra foi governador. Há, por exemplo, uma onda de violência na região da Avenida Paulista desde 2009, e nunca houve um pronunciamento público dos governadores do PSDB em defesa dos homossexuais agredidos.

Além do desserviço do tucanato, os petistas também não são aliados dos LGBT’s. Fernando Haddad foi o responsável por articular uma cifra de mais de R$ 800 mil para levar a cabo a elaboração e distribuição do famoso kit “Escola sem Homofobia”, chamado pejorativamente pelos homofóbicos do Congresso Nacional de “kit gay”. A presidente Dilma, porém, vetou a medida, que faria “propaganda de opção sexual”, segundo suas próprias palavras. Haddad, que tinha encomendado o material, apoiou e segue apoiando a medida da presidente.

Vale ressaltar que o kit era a única medida votada na I Conferência LGBT que sairia do papel, e que, embora tivesse problemas, seria uma ferramenta que possibilitaria trabalhar nas escolas a questão da homofobia, e ampliar o debate como nenhum outro material existente, trazendo esperanças não só para o movimento LGBT organizado, mas para milhares de jovens lésbicas, gays, travestis e transexuais que sofrem todos os dias com a homofobia.

O kit foi suspenso por Dilma após uma ameaça de instauração de uma CPI para investigar a escandalosa multiplicação do patrimônio do ex-ministro Palocci na época em que foi deputado federal. Palocci caiu, mas o kit permaneceu suspenso. A suspensão do kit anti-homofobia causou revolta em muitos ativistas e entidades do movimento LGBT. Devemos tirar uma lição disso: em nome do que eles chamam de “governabilidade”, o PT tem continuamente abandonado as bandeiras históricas que foram construídas junto ao movimento dos trabalhadores até a chegada de Lula à presidência.

Em nome do poder, negociam as bandeiras históricas do movimento, traem sua própria base, e as mulheres, negros e negras e LGBT’s são os primeiros a serem rifados, como ficou claro com a “Carta ao Povo de Deus” na campanha eleitoral de Dilma.

Como o voto dos conservadores em São Paulo vale mais que os votos dos LGBT’s, mais uma vez os LGBT’s são usados como moeda de troca: Serra se utiliza de homofobia para tentar tirar votos de Haddad, associando o ex-ministro ao kit. Haddad, por sua vez, que é diretamente responsável pela suspensão do kit, tentou a qualquer custo impedir que o kit entrasse em discussão na campanha. Ele critica Serra por associá-lo ao kit, mas não defende o kit nem a comunidade LGBT, nem propõe um novo material para ser distribuído nas escolas, sabendo que isso tira votos de conservadores e religiosos – em especial, aqueles que votaram em Celso Russomanno (PRB) no primeiro turno.

Nós, do PSTU, defendemos incondicionalmente a pauta do movimento LGBT incorporando em nosso programa os problemas mais sentidos pelos trabalhadores LGBT’s que sofrem a opressão e a exploração do dia–a–dia. Defendemos a liberação imediata do kit “Escola sem Homofobia” e sua distribuição em todas as escolas do país. Defendemos em todas as instâncias a criminalização da homofobia e punição aos homofóbicos. Não temos nenhuma confiança nos candidatos que concorrem à prefeitura de São Paulo.