Seminário prepara luta dos metalúrgicos do interior e litoral

“O Brasil cresceu, eu quero o que é meu” é o lema da campanha dos metalúrgicos de São José dos Campos, Campinas, Limeira e SantosNo dia 28 de julho, o Bloco Unificado construído entre os sindicatos de São José dos Campos, Campinas, Limeira e Santos realizou o Seminário de Campanha Salarial Unificada de 2011.

Com o slogan “O Brasil cresceu, eu quero o que é meu”, os sindicatos vão lutar por 17,45% de reajuste. O índice é baseado na inflação e no crescimento da produtividade do trabalho. Além do reajuste, os sindicatos também vão incorporar à pauta de reivindicações a eleição de delegados sindicais, a redução da jornada de trabalho, sem redução de salários e direitos, e a ampliação das cláusulas sociais.

Um Seminário politizado
O Seminário teve início com o ponto sobre conjuntura nacional. Várias intervenções sustentaram que a economia ainda está crescendo e os trabalhadores precisam buscar sua parte. “Se a política econômica do governo Dilma beneficia os patrões, os trabalhadores precisam lutar muito para buscar sua fatia do bolo”, recordou Luiz Carlos Prantes, o Mancha, representando a CSP-Conlutas.

A maioria das intervenções colocou no centro do debate a preocupação com a política econômica do governo Dilma, que prioriza os lucros dos patrões e banqueiros. Os trabalhadores produziram como nunca e precisam lutar nesta campanha salarial para garantir seu aumento e seus direitos.

Num seminário bastante politizado, várias intervenções lembraram nossa luta não é só pra diminuir a exploração, mas de acabar com ela e de edificar uma sociedade diferente, uma sociedade socialista.

Um outro alerta foi dado para os metalúrgicos do país não caírem na armadilha das centrais governistas que querem jogar a campanha salarial pra baixo com a conversa fiada sobre desindustrialização. Segundo Índio, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, “a CUT e a Força Sindical estão usando de pretexto as importações para justificar o pacto com os patrões da FIESP e retirar direitos dos trabalhadores com a nova versão das Câmaras Setoriais”. Segundo o dirigente, “se as centrais governistas estivessem realmente interessadas em defender o emprego, lutariam pela estabilidade para os trabalhadores e pela nacionalização das empresas que demitirem ou ameaçarem fechar. Ao contrário disso eles querem que os trabalhadores paguem a conta para que as empresas sejam mais competitivas”.

Durante os encaminhamentos os metalúrgicos presentes votaram por unanimidade contra o pacto social feito pela CUT, Força Sindical e FIESP.

Um Seminário de unidade
Outro elemento importante do Seminário foi o caráter unitário do bloco de sindicatos. Segundo Vivaldo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, “estamos atuando conjuntamente há 14 anos consecutivos. Isso mostra que é possível construir uma unidade na luta e uma alternativa que sirva como referência de luta para os metalúrgicos do país”.

Na base dos 4 sindicatos estão reunidos cerca de 150 mil metalúrgicos, abrigando empresas como General Motors, Embraer, Honda, Toyota, Burigotto, Panasonic e Usiminas.

Além dos sindicatos que compõem o bloco, também estiveram presentes os sindicatos dos metalúrgicos de Itajubá e da Federação Sindical e Democrática dos Metalúrgicos de Minas Gerais, ambos filiados à CSP-Conlutas.

A unidade mostra que é possível construir um pólo alternativo de direção no país independente do governo e dos patrões.

Construir a jornada de lutas de agosto
Os sindicatos presentes vão se somar à jornada de lutas nacionais que serão realizadas entre os dias 17 a 26 de agosto. Em São José dos Campos a data de mobilização foi marcada para o dia 19 de agosto . Já no dia 24 o Sindicato vai se somar à manifestação em Brasília.

Próximas atividades
04 de agosto: entrega de pauta na FIESP
06 de agosto: Conselho de Representantes em São José vai discutir a política e as atividades para a campanha salarial
19 de agosto: ato unificado em São José dos Campos
24 de agosto: manifestação em Brasília

Confira a Data Base dos setores patronais
1)Agosto:
Máquinas
Eletroeletrônico

2)Setembro:
Montadoras
Autopeças
Fundição
Estamparia

3)Novembro
Aeronáutico*

* Novembro é a data base do setor aeronáutico segundo a FIESP e a Embraer. Mas o sindicato buscará transferir a campanha para o mês de setembro.