Sem teto: É preciso defender a ocupação do Pinheirinho

As cerca de 1.200 famílias da ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), enfrentam a ameaça de ver suas casas demolidas. Algo que, mais uma vez, só pode ser impedido com muita solidariedade e mobilização.Quando fechávamos esta edição, ainda pendia sobre a cabeça dos moradores do Pinheirinho a possibilidade de efetivação de duas liminares judiciais, aprovados com o objetivo de demolir as casas da ocupação e garantir a reintegração da posse aos proprietários do terreno.

Há quase três anos, sete mil pessoas transformaram uma área abandonada de São José dos Campos em sua moradia, fazendo brotar um bairro de um lugar que, até então, era utilizado única e exclusivamente para a especulação imobiliária, por parte de seu proprietário, o mega-trambiqueiro da Bolsa de Valores, Naji Nahas.
Desde então, os moradores têm enfrentado constantes ameaças por parte das autoridades, particularmente, da prefeitura, dirigida pelo tucano Eduardo Cury, que já tentou toda e qualquer forma de falcatrua e intimidação para retirar os moradores do local.

Além dos constantes pedidos de reintegração de posse, as “autoridades” já tentaram de tudo: estipularam uma multa de mil salários mínimos caso fossem construídas casas de alvenaria e ruas na área; aprovaram (na Câmara na cidade) o cancelamento de “benefícios” como o Bolsa Família e outros para todas as famílias que estão no Pinheirinho e, pior, por várias vezes ameaçaram invadir o bairro e demolir todo o acampamento, com o “auxílio” da tropa de choque da polícia.

Até o momento, todos os ataques foram barrados pelas mobilizações dos moradores (como o fechamento da Via Dutra e passeatas até a casa do prefeito), que sempre contaram com a importante solidariedade de entidades dos movimentos sociais, em especial do movimento sindical, como o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, que têm dado apoio às diversas iniciativas políticas e jurídicas do Movimento que já garantiram, por exemplo, junto ao Tribunal de Justiça do Estado, a continuidade do fornecimento de água, luz e esgoto para os moradores do Pinheirinho.

Nova ameaça
Apesar de vitoriosas, estas mobilizações não conseguiram colocar um ponto final nas ameaças da elite local. A última e, talvez, maior delas, tomou corpo no início de novembro, quando a prefeitura aprovou a derrubada de todas as casas e construções do local.

A divulgação das criminosas intenções da prefeitura já resultou na realização de uma passeata, com mais de 2 mil pessoas, no dia 9 de novembro, e numa reunião, com ativistas de várias entidades – como o Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), o Movimento Popular pela Reforma Agrária (MPRA), de São Paulo e Minas Gerais, além do Movimento Urbano dos Sem Teto (Must), que dirige a ocupação no Pinheirinho.


Mais uma vez, é necessário lutar contra os ataques aos moradores do pinheirinho. É preciso intensificar a resistência em união com os trabalhadores contra as perseguições políticas e a repressão aos moradores. As entidades do movimento social e popular devem manifestar a sua ampla solidariedade e apoio político os sem-tetos. Várias entidades já estão nessa luta.

A Coordenação Nacional de Lutas está participando ativamente dessa campanha. É preciso Estender essa campanha por todo o país para que os moradores da região possam alcançar uma vitória definitiva da ocupação e conquistar o direito de ter uma moradia digna para viver.

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