Sem-terra é assassinado no Paraná

Seguranças armados, que agiam em defesa da multinacional Syngenta Seeds no estado do Paraná, mataram o dirigente sem-terra Valmir Mota, conhecido como Keno, e deixaram mais cinco trabalhadores gravemente feridos. A ação ocorreu no último dia 21 quando ativistas da Via Campesina e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam a fazenda da multinacional em Santa Tereza do Oeste, interior do estado.

A ação foi realizada depois que os agricultores reocuparam a área da multinacional, buscando dar continuidade à denúncia feita em março de 2006, do cultivo ilegal de reprodução de sementes transgênicas de soja e milho realizado pela empresa. Depois de expulsarem quatro seguranças, pela manhã, os sem-terra foram surpreendidos por vários pistoleiros que invadiram o local e abriram fogo a esmo contra os trabalhadores.

Em nota, a Via Campesina esclarece que os seguranças privados invadiram o local por volta da 13h30, quando “um ônibus parou em frente ao portão de entrada e uma milícia armada, com aproximadamente 40 pistoleiros fortemente armados, desceu metralhando as pessoas que se encontravam no acampamento. Eles arrombaram o portão, executaram o militante Keno com dois tiros no peito, balearam outros cinco agricultores e espancaram Isabel do Nascimento de Souza, que continua hospitalizada em estado grave”.

Keno começou sua militância nos anos 90 e já havia sido ameaçado de morte várias vezes pelo presidente da Sociedade Rural de Região Oeste, Alessandro Meneguel, e lideranças do agronegócio do Oeste do Paraná. Além de assassinarem Keno, os seguranças também feriram os ativistas do MST Isabel do Nascimento de Souza, Gentil Couto Viera, Jonas Gomes de Queiroz, Domingos Barretos e Hudson Cardin.

Darci Frigo, advogado da Terra de Direitos, denuncia a existência de um consórcio entre a Syngenta, a Sociedade Rural da Região Oeste e o Movimento dos Produtores Rurais para realizarem ações como esta em conflitos agrários. Os fazendeiros contratam “empresas de segurança” que, na verdade, agem como uma “tropa de elite” que assassina em nome do latifúndio.

A escalada de violência contra os movimentos sociais também atingiu a ex-presidente do PSOL do município de Santa Helena, Delci de Andrade Bresolin. No último dia 18, ela sofreu um atentado quando se dirigia ao trabalho. Ela ainda se encontra hospitalizada em estado grave.

Em protesto contra a ação da milícia latifundiária, os sem-terra reocuparam a área da multinacional e buscam agora promover um manifesto de repúdio para pedir a punição dos responsáveis por estes crimes.

*Com agências