São Paulo, Rio e Brasília têm atos contra golpe de Honduras

Atosno Rio e em São Paulo
Fotos Samuel Tosta e Kit Gaion

Nesta quarta, deputados também propuseram criar comissão para visitar o paísA repressão contra os manifestantes hondurenhos, que saíram às ruas de todo o país para exigir que o poder seja devolvido ao presidente deposto, já têm motivado protestos aqui no Brasil. Nesta quarta-feira, dia 23, às 14h, sindicalistas e estudantes, convocados por entidades como a Conlutas e o MST, protestaram em frente aos consulados de Honduras no Rio de Janeiro e em São Paulo. No mesmo dia, em Brasília, uma comissão de deputados e senadores realizou um ato em frente à embaixada de Honduras, em Brasília.

No Rio de Janeiro, o protesto, convocado em poucas horas, reuniu dezenove entidades e partidos políticos, como PSTU, PCB e PSOL. Cerca de 30 pessoas foram até o escritório do Consulado de Honduras, em Copacabana, no Rio de Janeiro, onde fizeram uma ocupação simbólica, em solidariedade aos trabalhadores e ao povo hondurenho.

Segundo informações da Conlutas-RJ, diante da ocupação, o cônsul Raul Ghuignard declarou que segue cumprindo suas funções em respeito ao povo brasileiro e hondurenho, mas contou que vem sofrendo retaliações do governo golpista de seu país, como a suspensão de seu salário. Ghuignard atribuiu isso a suas relações com o presidente deposto, Zelaya, a quem conhece pessoalmente há muito tempo. O retrato oficial do presidente Zelaya permaneceu na parede de seu escritório, mesmo após o golpe.

Os manifestantes reafirmaram o repúdio a dura repressão contra as legítimas manifestações que vem ocorrendo naquele país, o cerco à embaixada, e entregaram um documento ao cônsul, assinado pelas seguintes entidades e partidos: Assembleia Nacional dos Estudantes Livre (Anel), Casa América Latina, CECAC, CMP, Conlutas, Consulta Popular, IDDTT, Intersindical, Jubileu Sul/Brasil, Morena, MST, MTD, Núcleo Socialista de Campo Grande, PACS, PCB, PSOL, PSTU, UJC, União Campesina.

O documento termina afirmando que “o futuro dos povos latinoamericanos e caribenhos hoje está em jogo em Honduras” e conclama todos a redobrar seus esforços em solidariedade ao povo hondurenho. No mesmo dia, as entidades resolveram criar um comitê permanente de solidariedade ao povo hondurenho, cuja primeira reunião ocorre nesta quinta, dia 24. Uma primeira atividade pode ocorrer no dia 30, quando estava prevista a visita do hondurenho Tomas Andino, membro da Frente Nacional Contra o Golpe. Diante dos últimos acontecimentos, a viagem está suspensa, mas a atividade deve ser mantida, como forma de denunciar o que está ocorrendo no país.

São Paulo
Como parte de um mesmo esforço, um ato foi realizado em São Paulo, em frente ao consulado, no mesmo horário. Cerca de 40 pessoas protestaram em frente ao prédio do consulado, na Rua da Consolação, no bairro nobre dos Jardins. Com bandeiras, faixas e adesivos, eles cantaram palavras de ordem como, “golpistas fascistas não passarão”, chamando a atenção da imprensa e das pessoas que passavam pelo local.
O ato reuniu Conlutas, CUT, Sintusp, Sindsef SP, Sintrajud, DCE da USP, CACH Unicamp, CEUPS, C.A. de Comunicação da PUC-SP, PSOL, PSTU, Liga Estratégia Revolucionária (LER-QI) e Esquerda Marxista. O MST convocou, mas não esteve presente.

Dirceu Travesso, um dos organizadores, exigiu a punição aos golpistas. Para ele, “qualquer acordo neste momento, como a tentativa do Plano Arias, que preserve os golpistas, é uma traição”. Dirceu esteve recentemente em Honduras, em nome da Conlutas, e acompanhou a resistência ao golpe militar.

Ao final, as entidades presentes convocaram uma reunião, que ocorre nesta quinta, às 15h, na sede da Conlutas. Para o secretário de Relações Internacionais do PSOL, Pedro Fuentes, manifestações como esta são apenas o primeiro passo. “Este ato é simbólico, e esta demonstração de solidariedade deve continuar”, declarou ao portal da Conlutas.

Deputados em Honduras
Por iniciativa dos deputados Ivan Valente (PSOL-SP) e Fernando Gabeira (PV-RJ), a comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados aprovou ontem uma comissão para visitar a embaixada brasileira em Tegucigalpa, onde está o presidente Zelaya. A proposta ainda precisa ser aprovada em plenário, mas os deputados defendem que a viagem seja feita ainda nesta semana. Como informa seu site, Ivan Valente defende que a Câmara tome providências para defender os princípios democráticos nas Américas e proteger a integridade da representação diplomática brasileira em Honduras.

Também nesta quarta, deputados e senadores do PSOL, PT, PCdoB, PDT e PSB fizeram ato em frente à embaixada da Honduras. Segundo a Agência Brasil, eles entregaram um documento de solidariedade ao povo hondurenho, acompanhados de movimentos sociais e populares, como o MST e Via Campesina. Os militantes chegaram à embaixada, no Lago Sul (QI 19, Conj. 7, casa 34), por volta das 11h30.

Leia a Declaração da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional

  • Aprofundar a mobilização popular para derrotar o governo golpista