São Paulo comemora os 15 anos do PSTU

Convidados assistem a documentário sobre o partido
Diego Cruz

Cerca de 400 pessoas comemoraram os 15 anos do PSTU, no último sábado, 20 de junho, em São Paulo. Elas puderam ver uma exposição de fotos e dos jornais publicados ao longo desta década e meia.

As falas foram antecedidas pela exibição do documentário Meu partido é assim. Muitos se emocionaram ao ver passar na tela uma história de batalhas junto à classe trabalhadora. Alguns dos personagens do filme, inclusive, estavam presentes, como Conceição Menezes, Ana Rosa Minutti, João Zafalão entre outros dirigentes da organização.

José Erinaldo Junior, da direção do partido, lembrou que não estava apenas se comemorando os 15 anos do PSTU, mas 35 anos da corrente morenista no Brasil. Ele chamou para compor a mesa Dirceu Travesso e Mariúcha Fontana, também dirigentes do partido.

Waldo Mermelstein, fundador da corrente em 1974, também foi convidado a fazer parte da mesa. Ele e outros três companheiros vindos do exílio fundaram o grupo Ponto de Partida, ainda no exterior, que deu origem à organização.

Internacionalismo
Bernardo Cerdeira, membro da direção da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI), foi o primeiro a falar. Ele falou sobre a importância de um partido fazer parte de uma internacional.

Ele lembrou que o PSTU é a maior organização revolucionária do Brasil atualmente e que manteve seus princípios e programa. Ele atribuiu isso ao fato de o partido, mesmo após ter passado por diversas formas organizativas, ter mantido um fio de continuidade graças à relação com uma internacional.

No ato, estavam presentes dois haitianos que estão no Brasil realizando a campanha “Fora as tropas do Haiti!”, Carole Pierre Paul-Jacob, da Solidariedade das Mulheres Haitianas, e Didier Dominique, da Central Sindical e Popular Batay Ouvrier. Didier fez uma saudação ao partido e a todos os presentes e informou sobre a terrível repressão que está enfrentando o seu país.

Também estavam presentes militantes de Portugal e da Costa rica. Os presentes cantaram: “Brasil, Haiti, América Central / a classe operária é internacional”.

Homenagens
Ao longo do ato, vários foram os militantes históricos homenageados. Entre eles, estava Toninho Ferreira, que foi o primeiro presidente eleito do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos. Ele contou como foi a atuação da corrente nas greves dos anos 1980 e depois, já num período de refluxo, como o partido se manteve junto à classe nos anos 1990.

Militantes das secretarias de mulheres e de negros e negras do partido refletiram a batalha que o PSTU trava contra a opressão. Diferente de outras organizações, também no combate ao machismo, ao racismo e à homofobia, o partido se manteve sempre no terreno da classe trabalhadora.

Julia Almeida, estudante da USP e militante da Juventude do PSTU, também foi convidada a falar aos presentes. Ela falou da importância de organizar a juventude e os estudantes num partido revolucionário. Julia falou das lutas estudantis no Brasil e da recém fundada entidade, a Anel, mas também falou da lutas dos estudantes em outros países, como os do Haiti, que enfrentam uma brutal repressão neste momento.

Um partido real
Eduardo Alemida, dirigente nacional do partido, fez questão de destacar que o PSTU não é perfeito, mas que também erra: “não somos aqueles que se julgam infalíveis e geniais”. O mérito da organização, porém, segundo ele, é justamente admitir os erros e concertá-los.

Eduardo Almeida explicou por que o PSTU é um partido diferente. “Este é um partido para fazer revolução”, disse. “Este partido se constrói com o apoio dos trabalhadores, independente da burguesia”.

Já Valério Arcary, também dirigente nacional do partido, lembrou as insurreições que estão acontecendo em toda a América Latina na última década. Falou que o PSTU sobreviveu a um período de extrema ofensiva capitalista. Agora, para ele, está claro que as promessas reformistas são ilusórias e que é necessário destruir o capitalismo.

Valério assim definiu a militância do PSTU: “nós somos os homens e mulheres que querem ver triunfar a revolução brasileira”.

No mesmo sentido, Mariúcha Fontana lembrou que o partido não se entregou diante do governo Lula, esperado por duas décadas pelos trabalhadores do país. Ela falou que os desafios enfrentados pelo partido diante de um governo de colaboração de classes são enormes.

Para encerrar, Dirceu Travesso chamou a todos os presentes a entrar no PSTU e conhecer de perto o partido. “Esse é o PSTU, temos o compromisso de que nos próximos 15 anos continuaremos com esta batalha pela revolução socialista” , concluiu. O ato terminou com os presentes cantando A Internacional, o hino da classe trabalhadora mundial, e participaram de uma confraternização.