Santa Cruz: autonomia reacionária e pró-imperialista

A burguesia de Santa Cruz de la Sierra e Tarija, aproveitando um desejo de autonomia dos povos do interior contra o centralismo político-administrativo de La Paz, exige a autonomia regional.
A burguesia de Santa Cruz convocou para 12 de agosto, em desacordo com o governo, plebiscito junto à eleição de prefeitos. Mesa, por sua vez, tentou fixar por decreto a data de ambos (16 de outubro), como manobra para desviar as lutas pela nacionalização dos hidrocarbonetos. Mas Santa Cruz não aceitou, e manteve a data para agosto.

Riqueza
Santa Cruz e Tarija somam apenas 20% da população, mas geram 40% do PIB nacional e 60% das exportações. Têm as principais reservas de hidrocarbonetos e, em Santa Cruz, estão também os maiores latifundiários, com intensa produção de soja. Uma parte importante dessa riqueza vai para a burguesia do altiplano e o governo central de La Paz, por meio dos impostos nacionais. Por trás da luta pela autonomia, está a intenção dessas burguesias regionais de obter uma fatia maior dessa riqueza, em detrimento do altiplano “pobre”. Ao mesmo tempo, a autonomia lhes deixa as “mãos livres” para acertar diretamente com o imperialismo e proteger seus latifúndios contra a ameaça dos camponeses sem terra.

Além disso, em Santa Cruz, há uma situação mais “tranqüila”, já que a burguesia ainda mantém maior controle das massas. A autonomia busca “preservar” a região da permanente instabilidade boliviana. Mas, atualmente, ocorrem também aí combativas manifestações de professores, trabalhadores da saúde e camponeses, unificando suas exigências às de todo o povo e repudiando a posição da burguesia regional.

Divisão e entreguismo
A política da burguesia de Santa Cruz, possivelmente alentada pelos EUA e pelo Brasil, tem uma dinâmica separatista e de divisão do país. Seu avanço representaria um duro golpe para a burguesia do altiplano e o governo central. Por isso, se opõem claramente a ela até mesmo o alto comando do exército. Por ora, o conflito é “pacífico”, mas leva potencialmente a duros enfrentamentos, inclusive militares, que pode agudizar ainda mais a já explosiva situação do país. A autonomia exigida pelas burguesias regionais não significa a justa reivindicação de uma nacionalidade oprimida. Pelo contrário, é um ataque ao conjunto do povo boliviano porque seu objetivo é a entrega total dos hidrocarbonetos ao imperialismo americano e à Petrobras, e um maior enriquecimento da burguesia regional.

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