Romper com o imperialismo não é uma utopia?

Uma parte importante da dominação das classes dominantes é apoiada em ideologias (falsas consciências) difundidas pelos governos, partidos, a grande imprensa, as escolas e as burocracias sindicais. Sobre esse tema, o mais comum de se ouvir é que seria impossível romper com o imperialismo, porque “o país ficaria isolado”, ou ainda “não teria mais capitais para investir”. A mais apelativa de todas afirma que é impossível romper porque senão “os EUA vão invadir o país”.

Muitas vezes, intelectuais com ar de seriedade, dizem essas besteiras com pose de quem fala coisas profundas. Em outros casos, sabichões afirmam que é uma utopia romper com o imperialismo e, portanto, é necessário ser “realista” para evitar uma crise de grandes proporções.

Vejamos a realidade. Hoje, existe no mundo um sentimento muito amplo antiimperialista. Estamos vivendo a crise dos planos neoliberais em várias partes do mundo, assim como lutas contra as intervenções militares, como a atual no Iraque. Por isso, hoje existe um rechaço ao imperialismo, sintetizado no repúdio a Bush, mais amplo do que podemos lembrar em qualquer outra época recente.

Exemplo para os povos
Ao contrário do que dizem os “espertos”, uma ruptura com o imperialismo por parte do Brasil, teria um enorme apoio em todo o mundo. Quando Lula foi eleito, surgiu uma esperança na América Latina de que isso ocorresse. Não esqueçamos que esse sentimento é o que justifica boa parte da vitória de candidatos da esquerda reformista em vários países da região. Não é por acaso que Chávez tem um prestígio enorme, mesmo com atritos muito parciais e limitados com Bush.

Assim, não haveria nenhum isolamento dos trabalhadores e da juventude em todo o mundo, mas uma onda de apoio. A partir daí o Brasil poderia convocar uma frente de todos os países que se disponham a parar de pagar a dívida. Haveria sim um isolamento dos banqueiros e dos governos imperialistas, que teriam seus negócios prejudicados. Por outro lado, a política de Lula leva as massas latino-americanas a se distanciarem do governo brasileiro.

Verdades e mentiras
É realmente verdade que rompendo com o imperialismo ficaríamos sem capitais para investir? Onde entram os cálculos do que pagamos das dívidas aos banqueiros e das remessas de lucros das multinacionais aqui instaladas? A verdade é exatamente a oposta. Só rompendo com o imperialismo e parando de pagar a dívida, poderíamos ter condições de investimento em tudo aquilo que é necessário para o país, como saúde, educação e reforma agrária.

Eles falam em não romper com o imperialismo para “evitar crises maiores”. Defendem fazer reformas sociais, mas sem se enfrentar com banqueiros e multinacionais. Mas como evitar crises? Basta ir à periferia das grandes cidades, ver como vive a maioria absoluta do povo brasileiro, para saber que a crise social já chegou e se aprofunda a cada dia. A próxima crise inevitável da economia deve tomar proporções catastróficas. Não romper com o imperialismo significa aumentá-la.

“Bom”, diriam os sabichões, já sem argumentos, “mas então o governo dos EUA vai invadir o país”. Essa é a última trincheira dos que não querem se enfrentar com o imperialismo. Todos os ativistas que já fizeram greve alguma vez devem ter visto um burocrata dizer “não podemos entrar em greve, porque a patronal vai chamar a polícia”. Em todas as lutas existe um risco de enfrentamento. Muitas vezes, as greves se enfrentam com a polícia. Em algumas ganhamos, em outras perdemos. O que não se pode é deixar de fazer greves “para que a polícia não venha”.

Com essa postura, não existiria a revolução russa, ou a cubana, ou qualquer revolução. Nem mesmo uma greve se faria. Mas o Vietnã demonstrou que as invasões militares do imperialismo podem ser derrotadas. A resistência iraquiana está mostrando isso novamente.

Realismo é a ruptura
A posição desses “espertos” não tem nada de realista. As reformas que eles defendem, ao se manter a dominação imperialista, não saem do papel. Essas reformas é que são utopias.

O país precisa deixar de pagar a dívida externa e interna, implodir o plano econômico feito para gerar superávits gigantescos, expropriar as grandes empresas multinacionais, acabar com as negociações da Alca. Só assim poderá fazer um novo plano econômico a serviço das necessidades das grandes massas trabalhadoras. A ruptura com o imperialismo é difícil, e nos custará muito, mas é a única saída realista que temos.

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