Rodoviários do Amapá garantem primeira vitória contra empresários

Na manhã do dia 11 de março, em audiência no Tribunal Regional da 8ª Região, movida pelo sindicato patronal contra dois dos nove diretores do sindicato que foram demitidos, os advogados dos empresários decidiram retirar o pedido de demissão por justa causa que tinham ajuizado há cerca de três meses. Os dois diretores foram afastados por não aceitarem as injustiças cometidas pelos empresários como cobranças abusivas de peças dos carros velhos que transitam na capital, tentativa de exterminar fisicamente o presidente do sindicato, Joinville Frota, aumento da jornada de trabalho e demissões em larga escala.

Os dois diretores reconduzidos são parte da vitória na Campanha Nacional contra a Criminalização dos Movimentos Sociais. Isso fortalece muito a continuação da mobilização para a reintegração do restante dos companheiros demitidos.

Na verdade, os patrões sabiam que essa provocação não derrotaria os trabalhadores e que o retorno da direção do sindicato era uma questão de tempo. Uma grande onda solidária tomou conta do país a partir da força da Conlutas e de seus sindicatos organizados. Esse elemento é justamente o mais temido pelos patrões, afinal eles tremem diante da unidade da classe.

O clima na base é de muita confiança e disposição de luta, uma vez que se aproximam também as eleições para a nova gestão do sindicato, em abril. Apesar de uma chapa estar se apresentando com o discurso de alternativa independente, nada tira o brilho dessa vitória. Esse setor, dito independente, é o mesmo que se forjou a partir da tentativa desesperada dos empresários em retomar o controle da entidade e que forçou a criação de uma Comissão de Conciliação na maior empresa do sistema.

A Justiça do Trabalho qualificou essa mesma comissão de interpatronal. Ela é, reconhecidamente, um braço ideológico dos patrões na base com o objetivo de convencer a categoria a abandonar o método da luta direta em detrimento da negociação. O resultado dessa equação os rodoviários conhecem muito bem: o patrão fica mais rico e o trabalhador, mais pobre.

O próximo passo é a vitória final, com a volta do conjunto dos diretores e cipeiros de luta que estão afastados e a imposição de uma jornada de lutas que não apenas recuse os efeitos da crise econômica nas costas dos trabalhadores, mas, sobretudo, que mantenha a atual gestão à frente do sindicato e para fortalecer ainda mais a Conlutas no estado.