RJ | Além da pandemia do coronavírus, o Estado brasileiro segue com o genocídio negro

Márcio Magalhães

Uma pandemia dessas (…) e agora essa operação” (Moradora do Complexo do Alemão, em O Globo de 15/05/2020)

No Brasil, os negros e negras da classe trabalhadora enfrentam duas pandemias.  Para além do Covid-19, nas favelas e periferias cariocas negros e negras seguem sofrendo com uma “pandemia” estrutural:  a violência do Estado burguês.

Na última sexta-feira, 15 de maio, trabalhadoras e trabalhadores de duas comunidades cariocas foram, como de costume, vítimas de operações policiais do governo Witzel. No Complexo do Alemão, na Zona Norte da cidade, a violência estatal resultou em 13 mortes, segundo o jornal  O Globo (15/5). Não há, até o momento, registro de vítimas fatais na operação policial realizada no Morro do São Carlos, Centro do Rio. A inexistência de vítimas fatais não atenua, de forma alguma, o caráter violento e racista do Estado burguês.

Estudos recentes sobre mortes resultantes da violência do Estado, no país, apontam uma queda de 2% apenas, na comparação entre o 1° trimestre deste ano com o de 2019. No presente ano  já são, lamentavelmente, 429 mortes provocadas por agentes de segurança do Estado.

A queda quase imperceptível no número de execuções causa perplexidade. Quando observamos, na pesquisa, os dados referentes a diversas modalidades de crimes cometidas no mesmo período, verifica-se uma queda expressiva. Nos roubos de carga (-33%), a veículos (-22%), e nos roubos em coletivos, nas ruas e de celulares (-24%). Considerando-se apenas o mês de março, a queda é ainda maior.

A queda mais recente nos registros das modalidades de crime acima representa provavelmente um padrão resultante da pandemia sanitária, que recai sobre a humanidade em geral, e a nossa classe, em particular. Por outro lado, a pequena variação nas execuções em nossas favelas, expressa o caráter racista inerente ao sistema capitalista.

Para o combate da pandemia, a burguesia, que pode fazer quarentena, investe em pesquisas científicas para a cura ou possível tratamento do Covid-19 (obviamente calculando seus lucros). Já para a outra “pandemia” – a violência racista do Estado – a classe trabalhadora tem apenas um remédio: a revolução operária e socialista!

– Quarentena total e com renda para todos!

– Pelo fim da militarização das polícias!

– Pela liberdade de organização das trabalhadoras e dos trabalhadores de segurança!

– Pela autodefesa das organizações das trabalhadoras e dos trabalhadores!