Riscos e impunidade: ameaças fazem parte do cotidiano de fiscais

Assassinato de fiscais do trabalho em Unaí (MG) completa seis mesesNo dia 28, completaram-se seis meses da execução dos auditores fiscais do Ministério do Trabalho Nélson José da Silva, Erastótenes de Almeida Gonçalves e João Batista Soares Lage e do motorista Ailton Pereira de Oliveira, ocorrida na cidade de Unaí (MG). Os fiscais investigavam a ocorrência de trabalho escravo em lavouras de feijão da região. Todos os indícios apontam para uma execução planejada por latifundiários.

Muito querido pelos trabalhadores e odiado pelos fazendeiros, Nélson sofria ameaças constantes. Seu trabalho vinha dificultando a atuação dos gatos. Mesmo assim, Nélson não trabalhava com qualquer proteção especial. O prefeito do município, José Braz da Silva (PTB), é uma liderança ruralista de peso e responde a um inquérito por trabalho escravo em sua fazenda na cidade de Curiópolis, no Sul do Pará.

Segundo o atual presidente do Sindifisco/MG, Lindolfo Fernandes, “setores do crime organizado passaram a executar os servidores quando estes estão trabalhando”. Para Lindolfo, é real a possibilidade de crimes como esse voltem a acontecer.

Nota da redação:

Quando fechávamos esta edição, seis suspeitos foram presos, em Formosa (GO), pelas polícias Federal e Civil. Quatro são suspeitos de ter participado do assassinato e dois seriam intermediários. Os mandantes não foram identificados. O carro usado no crime foi visto no Lago Paranoá, região nobre de Brasília, onde moram políticos e ministros.
Post author Sebastião Carlos “Cacau”, de Belo Horizonte (MG)
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