Nos dias 11 e 12 de dezembro, a CSP-Conlutas realizou a reunião da Coordenação Nacional. Após um amplo debate sobre a situação internacional e nacional, foi aprovada uma resolução política com a análise da conjuntura e as tarefas para a central e para a classe trabalhadora.

A resolução pontua a crise política, econômica e sanitária e o aumento da miséria, da fome, do desemprego e do rebaixamento das condições de vida da classe trabalhadora. Ela também aponta para uma radicalização da luta de classes na luta direta dos trabalhadores em resistência aos brutais ataques da burguesia e seus governos.

O Opinião Socialista conversou com Atnágoras Lopes, militante do PSTU, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém (PA) e membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas. Ele falou sobre a importância da resolução política aprovada, a campanha que será realizada em torno ao programa emergencial da classe trabalhadora de enfrentamento à crise e a necessidade da construção de um plano de lutas para 2021.

A resolução política aprovada na Coordenação Nacional da CSP-Conlutas está disponível na íntegra no site da central (www.cspconlutas.org.br).

 

ENTREVISTA
“A CSP-Conlutas continua junto aos trabalhadores na defesa dos direitos e das reivindicações contra os patrões e seus governos”

Qual avaliação você faz da última reunião do ano da CSP-Conlutas?

Foi uma reunião vitoriosa, bastante representativa, com a participação de sindicatos, oposições sindicais, movimentos sociais do campo e da cidade e de luta contra as opressões. Uma reunião que tinha o desafio de fazer o balanço de 2020, analisar a conjuntura pós-eleições e preparar as lutas que acontecerão em 2021, pois é tarefa da CSP-Conlutas intervir nos processos de luta com todas as suas forças, com base na mais ampla democracia operária e unidade de ação para lutar, no marco da independência de classe dos governos e dos patrões e do internacionalismo proletário.

A reunião aprovou uma resolução sobre conjuntura, lutas e desafios da classe trabalhadora. Fale um pouco sobre essa resolução.

A reunião aconteceu em meio à crise sanitária da COVID-19. Temos o governo genocida e negacionista de ultradireita de Bolsonaro, que se contrapõe à necessidade da quarentena geral com renda para salvar vidas, contando com a cumplicidade de todos os governos estaduais, que fizeram coro com a política implementada por Bolsonaro pelo fim do isolamento social, atendendo às necessidades do lucro das empresas contra a vida do povo pobre e trabalhador.

Frente a essa situação, aprovamos uma resolução política que afirma o empenho e o compromisso da central com a construção da mais ampla unidade de ação, construída pela base das categorias e impulsionada na luta direta para enfrentar a grande polarização social colocada pela atual conjuntura, tendo como carro chefe de nossa intervenção a defesa do programa emergencial dos trabalhadores para tirar o país da crise econômica e sanitária diante da degeneração do sistema capitalista.

Quais são as principais propostas do programa emergencial?

O eixo central do programa emergencial é a defesa da vida e dos direitos de quem trabalha. Por isso, o primeiro passo é lutar pela garantia da renda básica a todas as pessoas desempregadas e de baixa renda, os de maior vulnerabilidade econômica, a fim de que ninguém tenha que se expor à ameaça do contágio para não passar fome. O aprofundamento da pandemia hoje demonstra que só com a vacinação em massa da população é possível conter o contágio e erradicar a COVID-19. Hoje travamos a luta mais dramática que a maioria de nós já viveu e precisamos nos dar conta disso, pois trata-se da ameaça à vida de milhões de trabalhadores pela doença ou pela fome.

O programa emergencial aponta para o fortalecimento das lutas e a unidade de ação em defesa da vida, dos direitos de quem trabalha, do auxílio emergencial, quarentena geral com renda digna, geração de emprego, direitos, liberdades democráticas, terra, moradia, meio ambiente, povos originários, serviços e servidores públicos, combate a toda forma de opressão, machismo e racismo estrutural, em defesa da soberania nacional e para colocar para fora Bolsonaro e Mourão.

O capitalismo poucas vezes deixou tão visível, a sua verdadeira face cruel como nesta pandemia. Desmascarar este sistema e apontar a revolução socialista como única saída é a nossa tarefa maior.

Qual o balanço do ano de 2020?

A crise econômica, que já se anunciava desde 2019, se aprofundou com a pandemia da COVID-19. A política de Bolsonaro foi atacar os direitos dos trabalhadores com a cumplicidade do Congresso Nacional, que aprovou a reforma da Previdência e a reforma trabalhista. E agora tenta impor a reforma administrativa, que visa cortar os direitos e o salário dos servidores e principalmente destruir o serviço público.

Esses ataques também geraram reações da classe trabalhadora?

Sim. Os trabalhadores brasileiros vêm reagindo à guerra social imposta pelos governos e pelos patrões. Desde abril, diversas lutas vêm ocorrendo, importantes atos de vanguarda, como as manifestações antifascistas e antirracistas e pelas liberdades democráticas. Em julho, tivemos o “breque dos apps”, que foi um processo nacional de luta dos entregadores de aplicativos. Aconteceram também levantes de comunidades buscando resistir aos despejos feitos em plena pandemia. Trabalhadores em serviços essenciais se mobilizaram por condições de trabalho e EPIs e pela vida, contra a morte em massa dos trabalhadores. Nos Correios, trabalhadores realizaram uma poderosa greve de 35 dias contra a retirada de direitos e contra a privatização da empresa. [Houve] Luta dos operários metalúrgicos e químicos. A vitoriosa greve dos metalúrgicos da Renault e dos funcionários do Metrô. Os petroleiros e metalúrgicos da Embraer, que lutaram por salários e contra o processo de privatização. A educação que derrotou o Bolsonaro na manutenção do Fundeb, adiou o Enem e vêm lutando incessantemente contra o retorno às aulas presenciais. Agora temos a mobilização do funcionalismo público federal que se prepara para enfrentar a reforma administrativa (PEC 32) de Bolsonaro, demostrando que a situação está polarizada e que a classe está disposta a lutar e resistir aos ataques.

E a unidade com as outras centrais?

A CSP-Conlutas é parte da frente e das mobilizações da campanha “Fora, Bolsonaro!”, que organizou várias jornadas e dias de luta em 2020, constituindo passos fundamentais da unidade dessa luta que, apesar de importante, esteve muito aquém do que poderia ter sido. Infelizmente a cúpula dirigente de grandes organizações, como PT, CUT, CTB, Força Sindical e outros setores do movimento, na prática não mobilizaram quase nada nesses dias.

A resolução política aprovada na reunião da CSP-Conlutas reafirma nossos esforços de presença e permanência nas ações e nos espaços de unidade de ação, que continuarão sendo acompanhados da denúncia permanente da cúpula das direções burocráticas, conciliadoras e traidoras, preservando e garantindo, assim, a autonomia para seguir fortalecendo nossa central como alternativa de direção para o movimento, para o fortalecimento da luta em nosso país e para o combate permanente às políticas que levam à desmobilização das massas e negociações que entregam direitos históricos.

Existe a possibilidade da construção de uma greve geral no Brasil?

A crise que estamos passando levará ao aumento da miséria, da fome, do desemprego e do rebaixamento das condições de vida. O caminho para superar a barbárie que se desenha é a radicalização da luta de classes, apostando firmemente na luta direta dos trabalhadores em resistência aos brutais ataques da burguesia e seus governos.

Essa luta deve ser pautada por um programa emergencial da classe trabalhadora, apoiado num plano de ação construído por baixo para derrubar os de cima. Para nós, os desafios da luta de classes que vivenciamos em 2020 seguem mais que atuais para 2021. E, diante do caos social e sanitário que se apresenta, se faz necessário apresentar um plano de lutas que aponte a perspectiva da construção de uma greve geral. Para isso, estamos fazendo um chamado e nos movimentando pela unidade de ação com outras organizações nacionais e internacionais, pela construção de um dia nacional ou internacional de luta em defesa da ampla e urgente garantia de acesso à vacinação em massa e quebra de todas as patentes na produção de vacina como resposta imediata à pandemia.

A CSP-Conlutas esteve colada nas lutas em 2020. Nossa tarefa é continuar junto à classe trabalhadora na defesa de seus direitos e reivindicações, contra os patrões e seus governos. Em 2020, ocupamos papel de destaque, com um balanço muito positivo, na tarefa de impulsionar a luta dos trabalhadores em defesa dos direitos e da vida. Vamos seguir nesse caminho.

 

RAIO-X

ENTIDADES
Sindicatos: 41
Federações: 3
Minorias sindicais: 12
Oposições sindicais: 25
Movimentos populares: 10
Movimentos de luta contra as opressões: 3
Entidade estudantil: 1

DELEGADOS – 177
OBSERVADORES – 235