Restauração e crise do capitalismo

O congresso abordou outros dois temas fundamentais: a situação da economia mundial e o que foi o processo de restauração do capitalismo nos países do Leste Europeu. Sobre economia, a discussão girou em torno da atual crise econômica mundial e suas consequências para a classe operária. O Secretariado da LIT apresentou um documento que analisa os mecanismos da crise e a caracteriza como uma crise clássica de produção em excesso provocada pela queda da taxa de lucro. Já se pode dizer que é a pior crise do capitalismo desde o crack de 1929, com repercussões para a classe operária mundial e todos os países semicoloniais.

Apesar de o tema da restauração do capitalismo nos países do Leste Europeu já ter sido discutido há alguns anos na LIT, essa questão voltou no IX Congresso com o objetivo de fazer o debate com as organizações com as quais a LIT vem discutindo e com as organizações que entraram na LIT recentemente, como o P’dAC da Itália e o ex-CITO, da Colômbia, que não participaram dos debates anteriores sobre o tema.

O objetivo não era votar um documento, porque a própria LIT não tem uma posição “oficial” sobre o assunto, apesar de já ter manifestado uma opinião majoritária a respeito. Sendo assim, foram apresentados documentos que refletiram as diversas posições que existem no interior da LIT, além de outros documentos elaborados por organizações convidadas, como a organização internacional UIT e a IT, da Argentina.

Para debater outras questões foram formadas comissões de trabalho que funcionaram paralelas aos debates centrais do congresso. O objetivo foi aprofundar alguns temas sobre os quais foram adotadas resoluções ao final dos trabalhos. Foram formadas comissões que debateram regiões ou países (Europa, Oriente Médio e Argentina) e uma comissão que se dedicou ao tema da luta contra a opressão da mulher.

Foram votados documentos sobre a situação na Europa (com atualizações e adendos sobre a luta contra a jornada de 65 horas semanais e os partidos anticapitalistas) e no Oriente Médio.

A discussão sobre a Argentina centrou-se na questão agrária. Houve uma forte polêmica entre a posição que caracteriza a “crise agrária” como um lockout (greve) patronal reacionário da oligarquia rural e, portanto, que os revolucionários devem ser contra (essa posição é defendida pela FOS, seção argentina da LIT, e pela própria direção da LIT), por um lado, e a visão que considera o protesto como uma luta progressista dos pequenos agricultores (defendida pela UIT e pela IT, da Argentina).

Da discussão, que envolve questões de princípio, saíram propostas de resolução opostas: uma delas, de apoio à política da FOS e da direção da LIT (levada a plenário e aprovada por unanimidade). Uma outra, contrária, apresentada pela IT, e uma terceira, com uma análise próxima da posição do FOS e da LIT, apresentada pela FUR-PO.

A comissão que debateu a questão da opressão da mulher foi a mais concorrida do congresso. Três documentos sobre o tema foram apresentados pela Comissão de Mulheres da LIT e o Secretariado Internacional, o Freedom Socialist Party, dos EUA, e o PSTU.

Partindo de um acordo sobre a necessidade de encaminhar a luta contra a opressão da mulher numa perspectiva classista e socialista, houve um intenso debate sobre como organizar a luta das mulheres, assim como o trabalho das organizações revolucionárias nesse setor.

Em seguida, o congresso discutiu o Documento de Balanço e Orientação de Atividades, confirmando em geral a análise sobre o salto dado pela LIT, que faz dela uma referência para o reagrupamento dos revolucionários, o que ficou claro na realização do Elac (Encontro Latino-Americano e Caribenho dos Trabalhadores).

Os delegados presentes também debateram os novos e imensos desafios das organizações que fazem parte do processo de reorganização do movimento operário: a necessidade urgente de fortalecer as seções nacionais e de crescer em número de militantes e quadros para encarar as novas tarefas. No mesmo sentido, foi lembrada a necessidade de fortalecer a direção da Internacional para assumir esses novos e imensos desafios.

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