Resistência cresce e faz Bush apelar à Otan

Essa é uma forma de envolver diretamente no conflito países como a França, a Alemanha e a BélgicaA situação no Iraque está cada vez mais crítica para as tropas invasoras. Não só as ações das milícias estão aumentando, mas regiões inteiras do país estão sendo liberadas e já ameaçam o plano imperialista de realizar eleições em janeiro. O imperialismo norte-americano apelou para a Otan (aliança militar ocidental liderada pelos EUA), que irá criar uma academia de treinamento militar perto de Bagdá, expandindo sua presença no Iraque de 40 para 300 militares. Bush está com medo de que o governo fantoche de Iyad Allawi não consiga resistir até janeiro, quando haverá eleição no Iraque para consolidar a “democracia”. As forças são para protegê-lo: “Embaixadores da Otan concordaram em aumentar sua assistência ao governo do Iraque no treinamento de suas forças de segurança”, disse o porta-voz da organização, James Appathurai. De certa maneira, é uma forma de voltar a envolver diretamente no conflito os países que se mantiveram, estrategicamente, “contrários” a ele, como França, Alemanha e Bélgica. A academia da Otan terá também a missão de formar um exército totalmente fiel ao imperialismo. Treinará oficiais iraquianos de alta e média graduação, exatamente como fez na América Latina durante os regimes militares.

Enquanto isso, uma onda de seqüestros vem ocorrendo no Iraque, aumentando a pressão sobre os países que mantêm suas tropas lá, como Itália, Reino Unido e os próprios EUA, e mostrando as dimensões do ódio que os invasores despertam.

Plano B em perigo

O grande problema do imperialismo é que a guerra no Iraque está sendo travada nas trincheiras, com milícias cada vez mais equipadas e buscando avançar sobre os invasores de todas as maneiras, inclusive com seqüestros, para criar um fato político. Bush quer urgentemente virar esse jogo, e lança mão de um plano B, canalizando o conflito para o terreno das eleições, como forma de desmobilizar as milícias e ganhar seus dirigentes para a disputa parlamentar, como já conseguiu com Al Sadr em Najaf.

Mas não está nada fácil. Inúmeros fatores conspiram contra a eleição. As regiões controladas pelas milícias rebeldes ameaçam não participar da votação. As várias facções de aiatolás se enfrentam por uma maior fatia do petróleo. Entre eles, o líder xiita mais importante, Ali Al Sistani, vem tentando adiar as eleições para ver se consegue aumentar o espaço dos xiitas no cenário político, hoje totalmente dominado pelos clérigos que apóiam os americanos. Sem contar que o presidente interino, Iyad Allawi, está cada vez mais desgastado, sendo visto por toda a população como um agente de Bush. Isso, no momento em que o imperialismo mais precisa dele para conduzir um processo eleitoral com um mínimo de credibilidade junto à população.

Esses entraves ao plano B de Bush constituem uma vitória da enorme resistência por parte dos iraquianos ao controle de seu país pelo imperialismo e a expropriação do petróleo. Somente a generalização dessa luta e a não-confiança nas eleições, uma armadilha para desarmar a população e as milícias, poderá mudar alguma coisa no Iraque e fazer surgir uma verdadeira direção revolucionária que consiga unir as massas na tarefa urgente de expulsar o imperialismo de seu território.

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