Resgatando a tradição de lutas das mulheres trabalhadoras

O PSTU saúda a iniciativa da Conlutas de realizar um encontro classista de mulheres de todo o Brasil. O evento é uma vitória de todos os trabalhadores e um primeiro e importante passo na luta das mulheres trabalhadorasO I Encontro Nacional de Mulheres da Conlutas acontece no momento em que se dá uma importante vitória do movimento de mulheres, refletida, recentemente, no sucesso do ato classista de 8 de Março em São Paulo. A Conlutas se colocou como alternativa à Marcha Mundial de Mulheres e a outras organizações feministas governistas. O ato classista superou as expectativas da organização, reunindo 700 pessoas e agrupando setores que continuam à frente das lutas no campo de oposição a Serra e Lula.

Ao mesmo tempo, as mulheres começam a se reorganizar em todo o mundo. A luta pela legalização do aborto já é uma realidade como em Portugal e na cidade do México. Também tem grande importância e influência a resistência no Iraque e na Palestina contra os ataques do imperialismo, lutas em que as mulheres cumprem um papel fundamental.

Não basta ser mulher
Nos Estados Unidos, uma das principais candidatas à presidência é mulher, Hillary Clinton. Na América do Sul, duas mulheres também conquistaram a presidência de seus países: Michelle Bachelet, no Chile, e Cristina Kirchner, na Argentina. Condoleezza Rice, secretária de Estado norte-americana, é mulher e negra, mas está ao lado do imperialismo nas matanças do Iraque e do Afeganistão e na exploração dos povos da América Latina.

Essas mulheres não são iguais às mulheres trabalhadoras. Elas colocam em prática políticas que reforçam a superexploração das trabalhadoras, estão ao lado dos patrões. Não precisam fazer o trabalho doméstico, pagam a outras para executá-los. Não morrem fazendo aborto clandestino, pagam para ter um aborto seguro. Estão menos expostas à violência, pois têm seus seguranças particulares e seus advogados caros.

A mulher é livre?
Hoje, as mulheres são metade da classe trabalhadora em todo o mundo. Esta importante força de trabalho está localizada nos piores empregos, com os piores salários. Em todo o mundo, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o desemprego atinge mais de 77,8 milhões de mulheres. Isso é assim porque as promessas de liberdade e emancipação da mulher que o capitalismo faz são falsas.

No trabalho, as mulheres são as maiores vítimas do assédio moral e sexual. Estão sempre expostas à humilhação e ao constrangimento durante a jornada de trabalho, sentindo-se fracas e desmoralizadas. Quase sempre, essa situação acarreta crises de choro, dores, depressão e outros problemas.

No Brasil, o número de mulheres chefes de família aumentou nas últimas décadas. Hoje, elas estão em, pelo menos, 30% das casas. Para o mesmo trabalho, as brasileiras ganham até 30% a menos que os homens. No caso da mulher negra, a situação é ainda mais grave: a diferença salarial com relação aos homens brancos é de mais de 60%.

Esquecendo-se das muitas horas a mais que as mulheres trabalham desde muito pequenas, Lula propõe a reforma da Previdência que, entre outras medidas, aumenta a idade mínima da aposentadoria para as mulheres. Outro ataque virá com a reforma trabalhista e a retirada de direitos, como a licença-maternidade.

Por que se organizar?
Estes são apenas alguns fatos que comprovam que a mulher não atingiu a igualdade com o homem como diz o capitalismo. Todas as conquistas que as mulheres tiveram foram arrancadas com muitas lutas graças à sua organização. Estas conquistas nunca foram ou serão suficientes ou permanentes. O capitalismo não consegue resolver os problemas das mulheres porque, ao pagar salários mais baixos, ao não garantir creche, ou carteira assinada, lucra mais.

As trabalhadoras precisam se organizar de forma independente dos governos e dos patrões para pôr fim à violência, ao assédio, à dura carga do trabalho doméstico, aos salários rebaixados. Os homens trabalhadores também precisam assumir essa tarefa como condição para a sua própria libertação e enxergar na mulher uma aliada, lutando, no dia-a-dia contra o machismo.

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