Repressão a greve mata dois trabalhadores na Venezuela

Policiais invadem ocupação e matam metalúrgicos no estado de Anzoátegui, governado pelo chavismo. Leia abaixo trechos da declaração da Unidade Socialista dos Trabalhadores (UST), seção da LIT-QI. A íntegra do texto está no Portal do PSTU

Unidade Socialista dos Trabalhadores (UST), da Venezuela

O dia 29 de janeiro de 2009 entrará para a história do movimento operário venezuelano como um dia de luto. A morte de José Marcano, da Mitsubishi, e de Pedro Suárez, da autopeças Macusa, abre um grave precedente para as lutas dos trabalhadores no país.

Neste dia, na zona industrial da cidade de Barcelona, a polícia do estado de Anzoátegui usou de uma violência brutal para desalojar os trabalhadores da Mitsubishi e da Macusa, que ocupavam a empresa. A polícia avançou com fuzis, lançando bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e atirando.

Os dois trabalhadores foram mortos e outro foi selvagemente golpeado por policiais, que o teriam confundido com um diretor do sindicato.

José Marcano e Pedro Suárez dedicaram sua vida a defender os interesses de sua classe contra a burguesia. Como Richard Gallardo, Luís Hernández e Carlos Requena, assassinados em novembro de 2008, durante uma greve no estado de Aragua, cujo governador também é do PSUV.

O governo do estado deve ser responsabilizado
O presidente da Comissão de Energia e Minas da Assembléia Nacional, Angel Rodríguez, responsabilizou os juízes que se pronunciaram a favor dos donos da multinacional MMC, ignorando as razões legais e trabalhistas que respaldavam o protesto.

Mas, além da Justiça, a polícia do estado de Anzoátegui deve ser responsabilizada. E ela está subordinada ao governador do Estado de Anzoátegui, Tarek William Saab, do PSUV. Tarek poderia ter evitado a tragédia se tivesse se negado a enviar a polícia para cumprir a ordem do juiz.

Em uma tentativa de contornar a situação, o governador de Anzoátegui suspendeu o comandante e os policiais responsáveis pela repressão e deteve seis policiais envolvidos nos disparos.

Após as mortes, o governador declarou: “Nós, no mês de abril de 2005, emitimos um decreto que proíbe o uso de armas de fogo nas manifestações. Estamos certos de que se há alguma situação de caráter violento numa manifestação, esta pode ser repelida de forma proporcional, com o uso de armas de dispersão, que consigam controlar a manifestação”. Nesta declaração, está clara pelo menos uma coisa fundamental: que o governador está a favor de reprimir as mobilizações.

Nenhuma confiança nos governos!
O presidente Hugo Chávez, numa declaração em rede nacional no dia 30 de janeiro, pediu que os juízes tratassem com cuidado os protestos dos trabalhadores. Também disse que, uma vez encontrados os culpados, eles serão presos. No entanto, questionou a oposição como provável incitadora desses fatos.

O que o governo nacional deveria fazer é culpar criminalmente os donos e gerentes da Mitsubishi como cúmplices deste duplo assassinato, impor à empresa que contrate os 135 trabalhadores da empresa terceirizada Induservi e sancioná-la duramente por descumprir as obrigações com a previdência social e garantir a estabilidade no emprego.

Após o assassinato de trabalhadores, não se pode negociar com senhores como os donos da Mitsubishi, mas obrigá-los a aceitar as reivindicações dos operários, de forma incondicional.

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