Relatório aponta para as conseqüências do efeito estufa

Capitalismo é o grande responsável pela destruição do planeta
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Nessa sexta-feira, dia 2, foi divulgada uma parte do relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) sobre a avaliação das mudanças no clima do planetaO jornal ‘Independent´ classificou o documento como “o mais aterrador relatório de todos os tempos”, pois demonstra de forma conclusiva os perigos do aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera. O relatório, que pretende estabelecer as conclusões das bases científicas da mudança climática, é o primeiro de vários que o IPCC divulgará ao longo do ano sobre o impacto do aquecimento no planeta.

O relatório prevê que até 2100 a temperatura da Terra aumentará entre 1,8ºC e 4ºC. E o pior de tudo é que, devido ao efeito estufa acumulado, será inevitável que o aumento continue ao ritmo de 0,1ºC por década, ainda que o nível de emissão de poluentes se mantenha aos níveis medidos em 2000.

O texto afirma ser “muito provável”, com mais de 90 % de probabilidade, que atividades humanas, principalmente a queima de combustíveis fósseis, expliquem a maior parte do aquecimento nos últimos 50 anos.

Outra conclusão do estudo aponta a possibilidade do derretimento total do gelo do Pólo Norte até 2100 e a redução da cobertura de neve em outras áreas do planeta. Isso significará uma elevação do nível do mar, que poderia chegar a até 59cm.

Fome e destruição
Um outro documento do IPCC, que será divulgado em abril, mostra que o aquecimento global fará com que milhões de pessoas passem fome. O estudo – o primeiro sobre as conseqüências do aquecimento – estima que entre 200 a 600 milhões de pessoas enfrentarão falta de alimentos daqui a 70 anos. Além disso, até o final do século, as alterações climáticas farão com que a escassez de água afete entre 1,1 e 3,2 bilhões de pessoas, com o aumento da temperatura. Países como a Austrália, China e partes dos EUA e da Europa sofrerão com a falta de água.

O aquecimento global é provocado, principalmente, pelo aumento da emissão de gás carbônico na atmosfera, causado pela queima de petróleo, carvão mineral e gás. Com o aquecimento, o gelo polar derreterá e poderá elevar o nível dos oceanos, algo que obrigaria a remoção de mais de 90 milhões de pessoas que moram em cidades costeiras. Mais uma vez, os países mais ricos são apontados como os maiores poluidores do planeta. Estudos recentes mostram que EUA produzem dez vezes mais CO2 (dióxido de carbono, principal gás que produz o efeito estufa) per capta do que a média dos países como Brasil e Índia. De acordo com o Departamento de Energia do país, de 1990 a 2005, a emissão do gás simplesmente dobrou. Nesse mesmo período, o Canadá aumentou suas emissões de gases em 57%.

‘Colapso´
Em seu livro ‘Colapso´, o biólogo norte-americano, Jared Diamond, trata de diversas sociedades do passado que entraram em crise terminal por terem esgotado seus recursos naturais, ecológicos e materiais em função das formas em que se organizavam. Civilizações inteiras naufragaram quando seu modo de produção entrou em contradição com os recursos naturais disponíveis. Sob o capitalismo, o ‘colapso´ pode ocorrer em escala planetária, isso porque, pela primeira vez na história, a humanidade vive sob um único modo de produção.

Sem nenhuma pretensão de criar previsões catastrofistas, a mudança climática em curso ameaça o conjunto da humanidade. As conseqüências do efeito estufa sobre o clima estão cada vez mais evidentes. Fenômenos climáticos extremos (enchentes, secas, ondas de calor, etc.) foram uma constante no ano passado e colocaram o aquecimento na pauta das discussões mundiais.

Infelizmente, porém, a maioria dos ambientalistas limita-se a defender propostas absolutamente ineficazes para reverter ou impedir o avanço da destruição, como o protocolo de Kyoto. O protocolo, criado em 1997, estabelece metas insuficientes para conter o aquecimento, pedindo que países industrializados diminuam em 5,2% a quantidade de gás carbônico jogada na atmosfera, em relação aos índices medidos em 1990. Em estudos anteriores, o próprio IPCC apontou para insuficiência dessa meta, afirmando que a emissão desses gases seja reduzida em 60%. Mesmo sendo um acordo rebaixado, até hoje os EUA se recusa a implementar as medidas recomendadas pelo protocolo.

Gostando ou não, a questão ambiental é a base para a manutenção de toda a civilização e a bandeira ecológica se insere no marco da luta anticapitalista. Isso é ainda mais urgente depois que a globalização empreendeu uma nova escala destrutiva dos recursos naturais.

A crise ambiental não pode ser resolvida senão pela superação completa do regime de exploração. O sistema não pode superar a crise que desatou, pois isso significaria pôr limites à acumulação capitalista.

Socialismo e ecologia
Ao mesmo tempo em que propiciou à humanidade extraordinárias descobertas científicas, o capitalismo promove uma enorme destruição das condições para a sobrevivência da espécie humana. Não poderia ser de outro modo, uma vez que a força motriz da produção capitalista é o lucro. A sua busca gera a anarquia da produção que, por sua vez, gera a superprodução, crises econômicas e o esgotamento dos recursos naturais. Nesse marco predatório e de concorrência entre os burgueses, é impossível que o capitalismo possa utilizar tecnologias racionais e não poluentes, uma vez que a adoção de tais tecnologias são infinitamente menos rentáveis para os capitalistas.

O fim da exploração irracional dos solos, da pilhagem e desperdício dos recursos vegetais, materiais e animais do planeta só pode ser alcançado por um mundo socialista, baseado na propriedade social dos meios de produção e no planejamento econômico que possa garantir a racionalização da exploração dos recursos do planeta. Dessa forma, se poderá avançar na criação de novas tecnologias voltadas para o bem-estar da humanidade, restaurando, como definia Engels, em seu livro A Dialética da Natureza, a unidade entre o homem e a Natureza: “Os fatos nos lembram a cada passo que não reinamos sobre a Natureza, como um conquistador reina sobre um povo estrangeiro, ou seja, como alguém que esteja fora da Natureza, mas que pertencemos a ela (…) todo nosso domínio sobre ela reside na vantagem que possuímos, sobre outras criaturas, de conhecermos as suas leis e de podermos usar esse conhecimento judiciosamente (…). Quanto mais avança esse conhecimento, mais os homens não só se sentirão, mas saberão que fazem parte de uma unidade com a natureza, e mais se tornará insustentável a idéia absurda e contra-natural de oposição entre espírito e matéria, entre homem e Natureza”.