Recessão: Inglaterra tem pior queda em 54 anos

PIB britânico tem pior resultado desde 1955; desemprego na Europa atinge os mais jovensSe no Brasil o discurso de que o pior da crise já passou pode ter alguma base, na Europa fica cada vez mais difícil sustentar tal argumento. A economia europeia desaba e o desemprego torna-se cada vez mais dramático, atingindo, sobretudo os trabalhadores mais jovens.

O resultado do PIB no segundo trimestre do ano no Reino Unido aponta a pior queda em 54 anos. O país registrou uma retração de 5,6% em relação a 2008. Em relação ao primeiro trimestre de 2009, a queda foi de 0,8%. O trimestre anterior havia caído 1,8% e, antes disso, 2,4%. Embora o trimestre atual indique uma desaceleração na queda livre em que a Inglaterra desabava, as perdas acumuladas somam mais que o dobro da observada na recessão dos anos 90.

A recessão atinge especialmente a construção civil, setor que diminuiu 14,7% em relação ao segundo trimestre de 2008. Bancos e demais serviços financeiros também ajudam a jogar para baixo a economia britânica. O desemprego, por sua vez, registrou os piores resultados para o período desde 1971. Só nesses três meses, 281 mil trabalhadores perderam seus empregos, engrossando um contingente de desempregados que já soma 1,5 milhão.

Jovens sofrem mais com o desemprego
Um dos aspectos mais cruéis da recessão é o desemprego em massa. Na União Europeia, o desemprego em alta atinge principalmente os mais jovens. Nos quatro primeiros meses de 2009, o desemprego entre os jovens de 15 a 24 anos foi de 18,3%, enquanto o desemprego total ficou em 8,2%. “Na União Europeia, 5 milhões de jovens estão desempregados”, afirma a Eurostat, o escritório de estatística das comunidades europeias.

Em toda a União Europeia, o desemprego entre os jovens subiu de 14,6% nos primeiros quatro meses de 2008 para os atuais 18,3%. Na inglaterra, subiu de 13,8% para 17,9%. Já na Espanha, um dos países mais afetados pela crise e o desemprego, cuja taxa total supera os 17%, o índice de jovens desempregados subiu de 20,7% para 33,6%.

  • Leia o boletim da Eurostat sobre o desemprego entre os jovens (em inglês)