Raúl Castro e a restauração

Raúl Castro
Reprodução

Com a renúncia de Fidel Castro, muitos analistas apostam que, com seu irmão à frente do poder, políticas de reformas e a abertura econômica se aprofundarãoO “aperfeiçoamento empresarial” é uma das metas mais repetidas por Raúl Castro desde que substituiu, temporariamente, Fidel em 2006. Algo que indica sua disposição em completar o processo de restauração do capitalismo em Cuba, iniciado nos anos 90.

Raúl Castro foi o histórico dirigente das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) do país. Com o fim da URSS e a adoção da política de abertura econômica de Cuba, a participação das FAR na administração da economia não parou de crescer em todos os setores. Desde hotéis, passando por agências de táxi, fábricas de açúcar e até escritórios de arrecadação de impostos são vários os setores administrados pelos militares.

Atualmente as FAR controlam 322 empresas cubanas, que empregam 20% dos assalariados da ilha e são responsáveis por 89% das exportações. No setor de turismo, as empresas administradas pela FAR representam 59% dos lucros obtidos pelo setor. Em 2006, o orçamento da instituição foi de US$ 1,469 bilhões.

É importante lembrar que com que a política de restauração do capitalismo pôs fim ao monopólio do comércio exterior e criou as empresas mistas, cujas as ações são dividias entre o estado e com capital privado, especialmente o estrangeiro. Também é muito importante notar que restauração capitalista trouxe profundas mudanças a estrutura econômica de Cuba. Se antes ela se assentava na produção de açúcar, ao longo dos anos 90 ela foi se concentrando nos serviços, que representam atualmente mais de 70% do PIB do país.

Por outro lado, a restauração capitalista se dá, sobretudo, a partir de investimentos estrangeiros, em que países da Europa injetam recursos nos setores mais dinâmicos e fortes da economia. Dessa forma, a cúpula castrista transformou-se em sócia dos capitais estrangeiros, garantindo seus negócios e, por sua vez, enriqueceu através das empresas estatais e de sua participação nas empresas mistas.

A renúncia de Fidel provocou reações imediatas entre representantes da União Européia. Muito julgam uma oportunidade de o país iniciar uma “transição democrática”. Na verdade, os representantes do capital europeu pressionam por uma maior abertura da economia cubana. Isso porque a restauração capitalista na Ilha beneficiou, sobretudo, as multinacionais do velho continente. Atualmente, excetuando o Canadá, os países que mais investem em Cuba são Espanha, Itália, França e Inglaterra.

O presidente da comissão multipartidária do Parlamento britânico para Havana, Ian Gibson, expressou muito bem em entrevista quais são as expectativas do imperialismo europeu com Raúl a frente do poder: “Cuba entende que agora há uma economia global. Acho que haverá menos medo em direção aos Estados Unidos e mais interação com a Europa”, disse.

LEIA TAMBÉM: