“Queremos trabalhar, mas a empresa só quer lucrar”, diz operário da GM

“Nem sei o que é esse tal de banco de horas, mas sei o que são 600 empregos”. O grito raivoso de um conhecido apresentador de televisão de São José dos Campos expressa bem a campanha das elites da cidade contra o sindicato e os metalúrgicos da General Motors (GM).

O projeto da GM mobilizou amplos setores pró-patronais de São José. A prefeitura apoiou o plano e anunciou um conjunto de isenções à montadora. Além do IPTU, a GM não precisaria pagar também as taxas de limpeza, iluminação pública, além da redução de 5% para 2% de Imposto Sobre Serviços (ISS). Só as isenções já pagariam os custos das novas contratações.

A multinacional reuniu toda a grande imprensa numa forte campanha contra a luta dos trabalhadores. Tais setores formaram a Frente em Defesa do Emprego e vêm divulgando uma carta aberta na mídia, com ataques e calúnias contra o sindicato. Acusam os metalúrgicos de serem contra empregos e de brigarem por privilégios.

A prefeitura chegou a afirmar que “cobre o que a empresa perderia por conta do sindicato”.

Metalúrgicos dizem “não”
Se o apresentador reacionário não sabia o que era banco de horas, os metalúrgicos da GM sabem muito bem. “Banco de horas é igual à escravidão”, afirmou um trabalhador ao jornal Opinião Socialista. “Essa proposta de banco de horas não está com nada, nosso salário está defasado há oito anos e a empresa só joga abono”, afirma o metalúrgico que tem 18 anos de casa.

O repúdio ao banco de horas é quase unanimidade entre os trabalhadores da linha de produção. “Está todo mundo contra, só meia dúzia de puxa sacos defende”, afirma outro metalúrgico, antes de entrar na fábrica. “São José tem mão-de-obra muito qualificada. Todo mundo quer comprar carro só daqui. Queremos trabalhar, mas a empresa só quer lucrar”, afirma.

Idéia compartilhada por outro metalúrgico. “O pessoal não gostou da idéia do banco de horas não. Com a produção alta, vamos ficar no prejuízo”, afirma um jovem trabalhador, contratado há apenas cinco meses.

Post author Diego Cruz, de São José dos Campos (SP)
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