Mobilização na GM mostra que é possível derrotar a retirada de direitos

Metalúrgicos da GM dizem “não” ao banco de horas e preparam campanha nacional contra a flexibilização trabalhistaNo dia 31 de janeiro, os metalúrgicos da General Motors (GM) de São José dos Campos (SP) impuseram uma importante derrota à montadora norte-americana. Reunidos em assembléias realizadas nos três turnos da unidade, os trabalhadores rejeitaram a proposta da empresa de flexibilizar direitos e reduzir salários em troca de 600 novos empregos.

O projeto para a fábrica da cidade previa o aumento da produção em 50 mil carros a cada mês e visava atender à expectativa de aumento das vendas neste ano. Mas, junto com o aumento da produção, a empresa quer aprofundar a flexibilização dos direitos com a adoção de um piso e uma grade salarial rebaixados, assim como com a implantação do banco de horas.

Como o plano da GM não foi aprovado, a montadora afirma, agora, que vai nsferir os novos empregos para as unidades de Gravataí (RS), São Caetano (SP) ou Rosário (Argentina).

Ofensiva da GM
A unidade da GM de São José dos Campos, que reúne cerca de 9 mil metalúrgicos, é uma das únicas montadoras do país onde não foi implantado o banco de horas, juntamente com a Honda e a Toyota de Campinas.

A cidade foi escolhida para a produção dos novos veículos porque, na linha de produção MVA (Montagem de Veículos Automotores), o turno da noite está ocioso. Portanto, a produção dos novos veículos poderia ser feita sem grandes investimentos, o que não seria possível nas outras unidades da montadora.

O resultado da ofensiva foi uma forte polarização na cidade e na empresa. Dentro da fábrica, havia reuniões diárias entre chefes e trabalhadores nas linhas de produção. “Chegou a haver três reuniões num único dia entre supervisores e metalúrgicos. Não me lembro de ter visto uma campanha tão forte na fábrica”, afirma Vivaldo Moreira, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos e trabalhador da empresa há 28 anos.

Nas assembléias que votaram o projeto, enquanto os metalúrgicos da produção se posicionavam massivamente contra o banco de horas, os funcionários administrativos e supervisores eram a favor. Algo que pôde ser visto nas assembléias, em que 65% em média votava contra a empresa e os outros 35% a favor.

Os chefes e supervisores foram a uma assembléia para fazer pressão sobre os trabalhadores, mas o sindicato exigiu a retirada deles para realizar a votação. “Essa é uma assembléia dos trabalhadores, não vamos continuar enquanto os supervisores estiverem aqui”, exigiu o diretor do sindicato Luiz Carlos Prates, o Mancha. Os bisbilhoteiros da empresa tiveram de sair sob vaias.

Uma intensa campanha do sindicato entre os metalúrgicos, bem como a experiência dos trabalhadores com a redução de direitos realizada nos últimos anos, provocou o “não” ao plano da empresa. Apesar de toda a pressão, os metalúrgicos não aceitaram a chantagem e votaram contra a flexibilização e o banco de horas.

Em defesa dos direitos
A GM, porém, já anunciou que retomará a proposta em quatro meses, mas “por outro caminho”. Primeiro através de um recém-fundado fórum patronal, depois por meio da prefeitura e da Câmara Municipal. Só então a proposta será apresentada aos trabalhadores. A empresa insinua, ainda, que fará um plebiscito na cidade para passar por cima das decisões das assembléias na fábrica.

Diante disso, a direção do sindicato realizará uma campanha nacional e internacional em defesa dos direitos. Um ato público, no próximo dia 20, convocado pela Conlutas e pela Intersindical, abre a campanha. Serão produzidos materiais de conscientização para a população e os metalúrgicos de outras fábricas, além de uma campanha de mídia no rádio e na TV.

Para dar um caráter internacional à luta, os trabalhadores de São José já começaram a entrar em contato com os trabalhadores da GM de Rosário e dos EUA.

Post author Diego Cruz, de São José dos Campos (SP)
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