“Abaixo o governo de Mario Abdo! Abaixo a máfia de Cartes e sua quadrilha”

Na noite desta sexta-feira, 5, vivemos em Assuncão uma manifestação massiva contra o governo corrupto e criminoso de Mario Abdo Benítez. Milhares de jovens de diferentes setores foram às ruas manifestar sua raiva contra o governo aos gritos de “Que se vão todos, que não fique um sequer!

A raiva acumulada pelas medidas do governo em torno da crise que se vive e por sua indolência e corrupção ante o sofrimento da população trabalhadora fizeram explodir o caldeirão. A manifestação desta sexta surgiu de maneira espontânea, sem que ninguém tenha convocado.

O chamado se espalhou através das redes sociais há alguns dias e ajudou para que existisse uma grande e massiva confluência, assim como uma simpatia generalizada por todo o país.

Temos acompanhado a manifestação dos diversos setores que tem saído às ruas e saudamos a reação mobilizadora e a expressão de raiva, assim como repudiamos energicamente a repressão por parte da polícia ao fim dos atos.

Um fato insólito

Em meio à repressão, a polícia ficou sem balas de borracha para continuar atacando os manifestantes e recorreu a pedras para atirar contra as pessoas. Em um fato inédito, levantaram bandeiras brancas buscando uma trégua com os manifestantes para parar as hostilidades. Disto se presume que existiu uma ordem de não levar a repressão a extremos que pudessem causar feridos de maior gravidade ou mortos, que pudessem acelerar um processo de impeachment contra Abdo Benítez.

As manifestações continuam em um ambiente de tensão a estas horas no micro centro da capital pedindo a renúncia do presidente.

As mãos de Cartes

Nos dias anteriores, começou a se cogitar a possibilidade de que essa convocatória fosse promovida principalmente pelo setor da oposição interna do Partido Colorado, liderada pelo ex-presidente Horacio Cartes, no afã de se valer de infiltrados para incitar atos de violência na manifestação e, assim, gerar um cenário propício para reinstalar o processo de impeachment contra Abdo Benítez.

Este processo, poderia condicionar ainda mais o oficialismo por parte do “cartismo” ou fazer prosperar o impeachment para conseguir que a substituição do Executivo seja feita pelos homens de Cartes na presidência das casas do Congresso. Embora o Presidente do Senado, Oscar Salomón, venha do setor oficial (Añetete), ele não é próximo de Abdo e até manteve certa distância na época. Por isso, especula-se que Cartes está jogando para vencer Salomón para sua facção. Por outro lado, o presidente da Câmara dos Deputados, Pedro Alliana, é um fantoche de Cartes.

Nossa posição

Nossa posição é contudente: queremos que se acabe este governo de corruptos e inúteis encabeçado por Mario Abdo, e ao mesmo tempo denunciamos as manobras que tramam o mafioso Horacio Cartes e sua gangue de delinquentes. Nem Abdo Benítez nem a máfia cartista/llanista! Ambos já demonstraram que governam só para os ricos.

Consideramos que a única saída ante essa crise é convocar eleições antecipadas, já que nenhum representante dos demais poderes do Estado tem a mais mínima confiança do povo trabalhador.

Confiamos na força das organizações da classe trabalhadora, cremos que é o momento de que se levantem para propor um plano de emergência para enfrentar a crise em função dos interesses da nossa classe, no marco da única democracia em que acreditamos: a democracia operária.

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