Laura Leal, pré-candidata à prefeitura de Campinas pelo PSTU

No dia 19 de julho, o Diretório Municipal do PSOL-Campinas aprovou uma coligação com o PT para as eleições municipais deste ano. Imediatamente o PT aceitou a proposta, pois já tinha uma política de realizar uma coligação com o próprio PSOL, mas também PDT e PCdoB, partidos que já governam cidades e estados em benefício de empresários, banqueiros e que, em muitos casos, utilizam a máquina estatal em benefício próprio.

O PT definiu, em plenária, a pré-candidatura de Pedro Tourinho, atualmente vereador pela legenda. Assim, conforme a decisão do PSOL, este partido abrirá um processo para definir seu candidato, ou candidata, a vice na coligação.

O problema é que a decisão deste partido também busca incluir nesta coligação os “partidos de esquerda” PCdoB, PCB, PCO, UP e PSTU. Assim, busca-se uma aliança eleitoral que, em primeiro lugar, não fez nenhuma discussão programática, e, em segundo lugar, tem a participação de aliados “de carteirinha” do PT. Isso significa um possível governo do PT na cidade, após a última gestão deste partido tristemente lembrada como “Isalene zero”, pelo fato da ex-prefeita petista ter negado reajuste salarial aos funcionários públicos municipais durante toda sua gestão.

O PSTU não faz parte desta armação e emitiu uma nota repudiando a inclusão de seu nome, que causou confusão entre nossos apoiadores, em uma aliança contrária aos interesses dos trabalhadores da cidade, em nome de uma suposta “unidade antifascista”.

Leia a nota do PSTU de Campinas abaixo

Nota do PSTU sobre a coligação do PT-PSOL nas eleições municipais em Campinas

1-  A tarefa central da classe trabalhadora brasileira hoje é derrubar Bolsonaro e Mourão, única forma de se defender a vida diante da pandemia. PT e PSOL dizem lutar por isso, falam que é preciso “unidade para derrotar o fascismo”. Mas derrotar a ultradireita pelas eleições é impossível.

A ultradireita pertence à burguesia e governa para ela, garantindo seus lucros, com nítida preferência por um regime ditatorial. Não possui compromisso com a limitada democracia existente hoje.

Por isso não há como derrotá-los por dentro das atuais instituições. E infelizmente é nisso que investe a maioria da oposição ao governo, em vez da unidade na luta direta, na mobilização.

2- Pior ainda diante do programa realizado pelo PT (do qual o PSOL se aproxima cada vez mais), que é o de administrar o Estado capitalista, fazendo todo tipo de alianças.

Não é à toa que seus governos estaduais tem uma política para a pandemia que guarda semelhança com a dos demais estados – e até com a de Bolsonaro: abrem mão de uma quarentena de verdade, em prol dos lucros dos empresários.

Se não bastasse, atacam os direitos dos trabalhadores e reprimem as lutas, como no Rio Grande do Norte. E como já haviam feito no governo federal: quando iniciaram a entrega do pré-sal sob o governo Dilma e reprimiram a manifestação contrária. Além de terem sucateado os serviços públicos e privatizado, construído estádios em vez de hospitais e dado trilhões pros bancos.

E para o povo negro também houve grandes ataques: a partir da dita “Lei Antidrogas” no governo Lula o encarceramento da juventude negra subiu absurdamente. O mesmo governo que enviou o Exército para reprimir a luta do guerreiro povo do Haiti, a mando do governo dos EUA.

3- Por fim, não acreditamos que através das eleições seja possível mudar as nossas vidas. O Estado não é neutro, ele tem dono: os banqueiros e grandes empresários. Por isso quem vence as eleições é para administrar esse sistema de exploração e desigualdade chamado capitalismo.

O PSTU participa das eleições é para debater com o povo trabalhador um programa onde a vida esteja acima do lucro, o qual só pode ser aplicado de fato num mundo onde quem mande seja justamente a classe trabalhadora, que é quem produz tudo, quem faz o mundo funcionar.

Sem destruir este sistema desumano não há saída. Esse é o debate central que queremos fazer com cada trabalhadora e trabalhador.

4- Por tudo isso nós do PSTU lançaremos candidatura própria. Queremos utilizar o espaço que temos para debater com toda a classe trabalhadora a necessidade de nos organizarmos em cada local de trabalho, de estudo ou de moradia.

E que essa organização sirva para construir uma saída revolucionária, para que o povo pobre e trabalhador governe através de conselhos populares e liberte de fato todos explorados e oprimidos. No Brasil e no mundo. Isso sim é socialismo.

Se você também quer este caminho, venha para o PSTU!

Laura Leal, pré-candidata à prefeitura de Campinas