Protesto fecha Av Paulista contra massacre no Pinheirinho

Manifestante denuncia violência contra moradores do Pinheirinho

Manifestação fechou avenida em solidariedade aos moradores da ocupação em São José dos Campos (SP)Poucas horas após a reintegração ilegal executada pela Polícia Militar na ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, vários protestos começaram a ser organizados em diferentes partes do país. Na capital paulista, nesse mesmo dia 22, cerca de 500 pessoas foram ao Masp, na avenida Paulista, em uma manifestação de solidariedade aos moradores desabrigados pelo governo paulista.

O protesto aconteceu já ao final da tarde e reuniu estudantes, ativistas e representantes de movimentos sociais, sindicatos e partidos de esquerda como PSTU e PSOL. Munidos de faixas e cartazes contra a repressão e a invasão policial e aos gritos de “Alckmin seu matador/assassinando trabalhador” , os manifestantes fecharam uma das vias da Avenida Paulista.

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP), Herbert Claros, que acompanhou o início da violenta desocupação da polícia, denunciou a ilegalidade da ação orquestrada pelo governo e a Justiça de São Paulo. Emocionado e com os olhos marejados, Herbert conclamou os ativistas a defenderem os moradores do Pinheirinho. “Estamos aqui para dizer em alto e bom som que esse ataque não vai nos derrotar, o Pinheirinho é nosso, é do povo” , afirmou. Muitos manifestantes se emocionaram com o relato da resistência popular na ocupação e a selvageria da Polícia Militar.

“Os absurdos e os atos criminosos a mando de Alckmin não têm limites; lá também está chovendo e milhares de mulheres, muitas grávidas, outras tantas com filhos no colo, estão na chuva, sob bombas e sem uma única peça de roupa” denunciou o dirigente sindical, que fez questão de relatar um diálogo que travou no dia anterior com um dos moradores da ocupação. “Ele já pensando no futuro; falava sobre seu desejo de criar um centro cultural para a juventude do bairro“, disse, não conseguindo conter as lágrimas.

O senador Eduardo Suplicy (PT), que visitou o Pinheirinho no dia anterior à desocupação, também estava presente. O parlamentar foi um dos que articularam com a Justiça paulista a trégua de 15 dias para a reintegração. Transtornado com o descumprimento da decisão da Justiça Federal, o senador relatou a tentativa frustrada dos parlamentares negociarem a desocupação com a polícia.

Mesmo debaixo de muita chuva, os manifestantes realizaram uma passeata até o prédio do Tribunal Regional Federal, também na Avenida Paulista.